Poemas : 

operação cumulonimbus

 
o autocarro vazio
finalmente parou
para entrar e sentar-me
no meu corpo
eu mesmo e eu próprio
reclusos algemados
acusados de envelhecer
com a cabeça nas nuvens
andando às voltas
até confundirmos percurso
com destino
com desdém
pela cidade que desperta
deserta
que só terminasse
com a chegada
da criança que faz uma careta
com a dor de cabeça
depois de um golo
de água gelada

 
Autor
Benjamin Pó
 
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