Poemas : 

cerco a nascente

 
despeço-me
como quem caminha
à linha da costa e se reconhece
no cordão do horizonte
tão preso à distância

a este nascer ausente
de corpos docemente despidos
despojados à espuma
ambos alheados
na beleza do seu abandono

às cartas que destinaram
cada gota
a cada eternidade

feita de um dia

cerco-te
na retirada desta muralha
aberta à luz e às rochas
transparentes e frágeis
como uma fuga

que a partitura deixou de lado
improvisando de súbito
quedas e amanheceres
pois se é a carne
a traduzir a alma

fica nada por dizer
na circunferência que amanhã
poderemos vir a ser

e principia

 
Autor
Benjamin Pó
 
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Enviado por Tópico
Egéria
Publicado: 07/07/2024 13:33  Atualizado: 07/07/2024 13:33
Usuário desde: 28/09/2009
Localidade:
Mensagens: 934
 Re: cerco a nascente
Olá, adorei.
Abraço

Enviado por Tópico
Beatrix
Publicado: 07/07/2024 13:59  Atualizado: 07/07/2024 13:59
Super Participativo
Usuário desde: 23/05/2024
Localidade:
Mensagens: 168
 Re: cerco a nascente / Benjamin Pó
-
Olá, Benjamin.

Muito rico e intrigante este seu poema. Como sempre, mais ou menos cifrado, mas com muito para explorar

Bom domingo.

Beatrix

Enviado por Tópico
filipadetaveiros
Publicado: 10/07/2024 06:37  Atualizado: 10/07/2024 06:37
Novo Membro
Usuário desde: 08/07/2024
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Mensagens: 8
 Re: cerco a nascente
Bom dia, Benjamim Pó, li este seu poema e gostei muito. Será que amanhã poderemos vir a ser circunferência, círculo, perfeição? É pelo menos para isso que vivemos, digo eu.
Parabéns!
filipa