Poemas : 

Limoeiro e Cemitério

 
havia

terra

nos joelhos.

as mãos

demoravam

a esquecer
o limoeiro.

minha mãe

varria
as manhãs
da rua
para dentro.

o cachorro

dormia

onde a sombra
chegava primeiro.

o muro

escurecia

antes
da chuva.

ninguém

fechava

a janela
do fundo.

o quintal

já sabia
o endereço
do cemitério.

 
Autor
Aline Lima
 
Texto
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Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 26/07/2026 20:19  Atualizado: 26/07/2026 20:19
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4591
 Re: Limoeiro e Cemitério p/ Aline Lima
Ainda senti uma brisa de vento que passou pela janela dos fundos. Julguei estar no quintal.

Enviado por Tópico
DCM_1978
Publicado: 27/07/2026 16:46  Atualizado: 27/07/2026 16:46
Da casa!
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 326
 Re: Limoeiro e Cemitério
Obrigado pelo poema, fez-me viajar para o teu quintal e lembrei-me de quando plantei um limoeiro noutro quintal há muitos anos. Abraço poético

Enviado por Tópico
Benjamin Pó
Publicado: 28/07/2026 15:12  Atualizado: 28/07/2026 15:17
Administrador
Usuário desde: 02/10/2021
Localidade:
Mensagens: 969
 Re: Limoeiro e Cemitério p/ Aline Lima
.
E assim se escreve mais um excelente poema, sem sentimentalismos ou excessos estilísticos.

Como diz Gastão Cruz:

Não é usando o adjetivo escuro
ou obscuro
que o poema se escurece.

ele possui a sua escuridão
uma noite que
o esconde e molha no céu negro


(poema "No céu negro")

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