não quero um amor que me poupe.
quero o que deixa
o juízo do lado de fora.
o que divide comigo
a última coisa boa da casa
e depois a fome.
que a vida nos encontre indecentes
de tão vivos,
rindo na hora errada,
com alguma louça por lavar
e nenhum respeito pelo fim
quero o pior domingo,
a febre,
o dinheiro curto,
o desejo ainda aceso
quando tudo em volta pedir economia.
quando vier o difícil,
porque vem,
não me dê flores.
me dê o que não sabe ser bonito.
eu dou o meu.
então fique.
e feche a porta.