SOB EFEITO
Distante novamente...
Como se a vida fosse um filme
em que assisto numa poltrona
que nem é a minha;
Como se algo estivesse errado,
Estranho é sentir junto à apatia,
meu espírito: perplexo.
E diante do que o filme apresenta,
me sinto confuso; nada tem nexo.
E me sinto errante numa neblina;
naquilo que desconheço.
E acabo por me abrigar
numa concha;
Porque cruzar a linha do novo,
receio.
Nessas horas, o fantasma
da desilusão me assombra;
E na familiaridade
daquela velha dor,
escrevo.
E minha poesia é distração;
de invisíveis feridas,
a materialização.
Mas também rimas
de esperança tingidas;
Como se dentro de mim
houvesse mais de mil vidas
Cada dia, um novo tom de cinza;
e por isso mesmo, talvez,
eu sucumbia
em tudo que exigia dia-a-dia;
a mesma direção nos passos
para chegar ao final da via.
Joguei fora meus sonhos
por estar cansado da geada
que me aperta meu coração
toda madrugada
Quando lembro nas coisas em que acreditava
e quando vi; em meu peito,
já havia mais uma ferida;
mais um motivo para querer estar
Sob efeito.