
O Mal da Pedra
Por que busquei o mal na pedra?
Sua dureza percebida por minhas mãos
é, na sua completude, o que integra
microespaços que são medidos por ångström.
O aperto incontido de um coração
que, pela dor de um pensamento, dispara,
emitindo, por instinto, um feroz som
e tornando escura até uma manhã clara.
Ver entre espaços invisíveis
é o peso do que não se pode ver;
logo, o sentir se torna indefinível,
e sofrer na angústia do pensar é um lazer.
Falham-me todos os meus sentidos;
qualquer sentido é de uma dureza brutal.
Seca em meu peito este mal desconhecido
e inicia a busca pelo meu Santo Graal.
Pois a pedra sobre um apoio grosso
está ali como fosse o seu altar;
a esperança que havia antes do almoço
tornou-se apenas fome para o jantar.
Alexandre Montalvan
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