Filho,
Dois meses são apenas segundos
Num coração de luto e de dor.
Separados estão nossos mundos
Tão unidos pelo mais puro amor
O telefone, mudo sobre a mesa,
Só a mensagem ficou gravada
O nosso amor é a única certeza
Nesta nossa eterna caminhada
A linha foi abaixo, eu bem sei.
Estou na frequência de luto,
escrevo na onda que m’inventei
e é no meu peito que t’escuto
A linha física pode ter caído,
o canal da alma está aberto.
Mesmo tendo-te perdido,
Sinto-te sempre por perto.
Na frequência do pensamento,
A tua voz continua a ressoar
Não há ruído, não há vento
Que me impeça de te escutar.
Não há distância nem fim do sinal
Nada me impede, vou-te ouvir.
O amor é a frequência e é imortal,
nem a morte nos pode impedir
Não sou poeta mas, quem sabe, um dia escreverei
um texto que (pela persistência e sorte) possa ser lido como poema