Cantiga d' Amigo
Que ventos me lançam desgraça,
de meu amor, não verei graça,
Cativo de peste cruel?
Que luas banham de luar
meu amor, olhos a chorar,
Cativo de vil infiel?
Quantos sóis lhe ornam de ouro
De meu amor, o rosto mouro,
Cativo de mulher perversa?
Que montes ciciam encantos
a meu amado, os seus cantos,
Cativo de bruxa adversa?
Que cristalinas águas vão
A meu amor, dar o coração,
Cativo de vil cortesã?
Aves cantarão na manhã
A meu amor, poemas d' amor,
Cativo de imprópria dor!
octossilábica: 8 + 8 + 8
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