Cuidado, Poetas!
Cuidado; poetas, andam nesta selva
Hienas a ulular famintas de carniça,
Despojos d’ almas e desventuras alheias.
Atentai, poetas! São serpentes nojentas;
Injectam venenos pútridos de mal-amadas,
Juntas em ninho, vomitando ascos enredos.
Vigiai, poetas, as vossas paixões pueris;
Que nunca caiam em pântanos lamacentos
Pejados de predadoras que devoram emoções.
Defendei-vos, poetas, Das setas e dardos
Que lançam maldição; as traições e enredos,
Dos mais escabros jamais passíveis de sonho.
Atacai, poetas, mitos e suposições
Das infelizes, na sua impossibilidade
D’ amar. Vomitam excertos e imundícies.
Ensurdecei, poetas, aos cantos de carnais sereias!
São matéria aviltada e ciúmes, nas almas ocas
Que lhes foram sonegadas por mera piedade!
Acordai, poetas, na noite do vosso encanto!
Acordai! Podeis sonhar as vossas musas eternas,
Mas não lhes oferteis a vossa poesia de mortais.
Poeta sem Alma
Estilo Alexandrino (12 sílabas poéticas)