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Cuidado, Poetas!

 
Cuidado, Poetas!


Cuidado; poetas, andam nesta selva
Hienas a ulular famintas de carniça,
Despojos d’ almas e desventuras alheias.

Atentai, poetas! São serpentes nojentas;
Injectam venenos pútridos de mal-amadas,
Juntas em ninho, vomitando ascos enredos.

Vigiai, poetas, as vossas paixões pueris;
Que nunca caiam em pântanos lamacentos
Pejados de predadoras que devoram emoções.

Defendei-vos, poetas, Das setas e dardos
Que lançam maldição; as traições e enredos,
Dos mais escabros jamais passíveis de sonho.

Atacai, poetas, mitos e suposições
Das infelizes, na sua impossibilidade
D’ amar. Vomitam excertos e imundícies.

Ensurdecei, poetas, aos cantos de carnais sereias!
São matéria aviltada e ciúmes, nas almas ocas
Que lhes foram sonegadas por mera piedade!

Acordai, poetas, na noite do vosso encanto!
Acordai! Podeis sonhar as vossas musas eternas,
Mas não lhes oferteis a vossa poesia de mortais.



Poeta sem Alma


Estilo Alexandrino (12 sílabas poéticas)
 
Autor
Poeta.sem.Alma
 
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Enviado por Tópico
DCM_1978
Publicado: 18/08/2026 14:10  Atualizado: 18/08/2026 14:10
Da casa!
Usuário desde: 05/01/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 318
 Re: Cuidado, Poetas!
Caro Poeta.sem.Alma, fica registado o aviso. Saudações poéticas


Enviado por Tópico
Alemtagus
Publicado: 18/08/2026 20:36  Atualizado: 18/08/2026 20:36
Moderador
Usuário desde: 24/12/2006
Localidade: Montemor-o-Novo
Mensagens: 4591
 Re: Cuidado, Poetas! p/ Poeta.sem.Alma
Vede Homens como canta o aedo
Exultai-lhe o verbo que aqui ecoa
E a intrepidez d'tal porfia lançada
A tanto pavor que vos mata cedo
A esses ditos poetas de vida boa
Tais que nada mais são que nada


Enviado por Tópico
klopes
Publicado: 18/08/2026 21:33  Atualizado: 18/08/2026 21:33
Super Participativo
Usuário desde: 15/02/2026
Localidade: Lisboa
Mensagens: 101
 Re: Cuidado, Poetas!
NADA TEMEIS!

Por isso a vós vos digo, poetas, eternas cigarras que canteis o que de mais belo possam imaginar, lembrando sempre que temos o escudo do nosso amado poeta (Miguel Torga) que nos escreveu em nossa honra a sua Ode “Aos Poetas”.

Torga não nos deixou apenas versos numa folha; deixou-nos um verdadeiro escudo de adamantium poético! Enquanto o resto da humanidade corre atordoada atrás de prazos, reuniões intermináveis e tabelas do Excel, nós fomos decretados pelo Mestre como os cantores oficiais da beleza e da transcendência.

Seres destemidos que transformam pedras em estrelas e dores em arte.

Abraço poético,

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