Bosque
Neste bosque, tu, ninfa bela,
coroada de odorosas flores,
minha visão pura e singela,
cativaste meu olhar d' amores!
Em teus doces lábios, me saciei
do teu néctar roxo d' amora.
Em meus braços, feliz, t’ enlacei
donzela, e te fiz senhora.
As folhas caídas, cama, dossel,
da nossa paixão soluçaram,
teu corpo, como eu, beijaram,
os teus lábios, de mosto e mel.
E as aves, piando, voaram
em círculos alienantes,
em espirais, anunciaram
este outuno de nós amantes.
Poeta sem Alma
Este poema apresenta um lirismo amoroso de forte inspiração bucólica, evocando a tradição clássica da poesia pastoril.
A natureza não é apenas cenário: participa ativamente da união dos amantes, tornando-se cúmplice e testemunha do encontro.
A sensualidade é expressa através de metáforas delicadas e imagens gustativas muito eficazes, evitando o excesso descritivo.
A atmosfera é serena, luminosa e celebrativa.