Rejeitando a própria natureza
Ela criou inimigos imaginários
O corpo dela grita por algo
Mas suas palavras dizem o contrário
Ela está com ódio
Porque se sente rejeitada
Ela só queria ser amada
Agora se tornou amarga e tresloucada
Ela acha que tem um poder infinito
E que o mundo abaixo de seus saltos é mais bonito
Ela acha horrível a sabedoria dos antigos
E se agarra com todas as forças ao materialismo
Ela está desorientada
Por muitos rémedios está dopada
Sem ansiolíticos, mergulharia no próprio abismo
E se olhando no espelho, veria um martírio
Ela quer o caos porque ela não tem amor
Ela quer destruir tudo, sua vida não tem sabor
Ela tem tudo, mas sente que não tem nada
Ela está fantasiada, e por dentro, destroçada
Ela quer destruir sua própria cura
Porque rejeita seu lugar natural
Todos os dias ela acorda e se pergunta
"O que faço eu nesse mundo banal?"
Ela não é amada,
E não quer que nenhuma seja
Ela é uma rosa murcha
Porque floresceu nas trevas
Ela não sabe ser amada
Tampouco sabe o que o amor é
Ela quer subjulgar o mundo
Porque o mundo não a deu o que ela queria
No fundo, ela só queria ser algemada
E no silêncio da noite, longe do mundo, ser domesticada
Ter um senhor que a chamasse de "minha amada"
E que tornasse a sua vida mais simplificada