Fugas:
todos os caminhos à noite desfigura,
os machados batem, o dia aparece
pelas sensações carnais do tudo errado
nas batalhas empíricas da vida
extremada por duas doutrinas.
Quantas são as chances dum corpo frágil?
Nos meus, muitos passos observo,
sou servo, até outra noite me inspirar
a deixar o quê vital sob o chão tátil,
tal pausa ao conteúdo físico.
Fugas:
a grandeza da caminhada
do cão e seu gemido de dor e fome
a fazer-me lutar
contra as direções futuras do mundo,
mas o meu, o submundo manobra...
Não reclamo,
escondo-me sob as cobertas e durmo
até desnotar os demônios do passado
com suas falsas lições.
Com os anjos faço minha mala
nesta sala.
Lá fora, um bergantim espera-me
com outros amigos há muito.
Com eles partirei... partirei
meio às belezas dum horizonte claro,
na procura diuturna
da lei vivencial, de segundo a segundo,
jamais encontrar seu negror.
Fugas:
a irrealidade alcançar
pelo cansaço da coragem,
pois o sofrer faz jus
à clarividência enganosa
de tudo conhecer
dentro do micromundo
de cada cérebro voador.
Fugas:
os machados cessam,
e o dia desaparece
em insights obscuros
além do máximo visionário
de olhos fixos apenas
na flor d'água de limite
**********