quando a felicidade exagera
quase sempre alguém a corrige.
eu não.
deixo que erre comigo,
que faça contas ruins,
que me atribua futuros
sem nenhuma competência.
às vezes acredito.
não por inocência.
inocência seria não perceber
a cadeira vazia.
eu percebo.
e permaneço acesa
na parte que não coincide
com os fatos.
só não concedo à ausência
o direito de decidir
o que aconteceu.
talvez seja esse
o meu pequeno escândalo
ter visto tudo
e ainda assim
não retirar a beleza.