as árvores despem-se dos seus vestidos feitos de folhas,
e deixam os seus corpos nus a vista,
até parecem ter vergonha,
uma rajada de vento varre o chão de mansinho,
um espoginho dá corpo as folhas,
já sinto o cheiro da invernia,
eu que vivo o outono da vida,
temo o frio,
temo as sombras,
temo o inverno dos seres,
…
contento-me com os castanhos, os amarelos,
com a terra tórrida,
cozida pelo sol de verão,
…
nem pinga de agua,
nem para uma lágrima,
lágrimas pela primavera que partiu,
lá longe,
lágrimas pelo verão que deixei para trás,
…
nem tudo esta perdido,
tenho te a ti, no aconchego da lareira.
Moncarapacho 18-09-26