Roubei tempo ao tempo,
Apanhei o adormecido,
Numa noite de vigília,
os ossos do corpo rangiam,
no baile das cadeiras,
duras e frias,
alguém gemia ao meu lado,
a tristeza da sina humana
jazia nos corredores,
…
Fitei o tempo,
Pedi para descontar esta noite,
Não conta tempo!
Não conta,
…
Quero existir em pleno,
Quero enroscar o meu corpo no macio da cama,
Não quero ter dores,
Não quero que a dor tome conta deste lugar,
…
As estrelas esbatam-se no céu,
Uma luz tremula surge no horizonte,
O sol nasce,
Incendeia-me os olhos,
…
O tempo ainda não acordou,
Tal como eu que não adormeci,
Esta noite não conta, grito bem alto,
Não conta...
A sala vai enchendo,
Os turnos mudam,
A maquina de tirar café não para,
…
Há os tristes,
Há os doloridos,
Os sozinhos na dor,
Os acompanhados,
Todos sofrem,
Não sei de pediram ao tempo para descontar esta noite,
Eu pedi,
Quero-a de volta.