Existiu,
dentro
do peito,
um mar
de amigos,
de amores,
de todos os tipos.
Sem notar,
o vazio
foi entrando,
esvaziando
com
o silêncio
o coração.
Sem notar,
as pessoas,
à “beira-íntimo”,
foram abalando,
deixando
as ondas
mudas,
as lágrimas
azedas,
a espuma
escura
na escuridão.
Hoje
notei
a
alma
transfigurada
numa praia
não vigiada,
com tantas
marcas
das
pessoas
que amava.

Sem saber
a quem incriminar,
culpo o tempo
e a demora
de um sol
que se perdeu
no
caminho para
casa
e a revolta do olhar.
Não há volta a dar.
Futuramente,
também
serei
barco
varado,
longe
do cerúleo
do sal.

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