Poemas : 

Pequeno diante dos Rios até ser Mar

 
 




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joão

sentiu-se,

por um fio

de água,

nesta vida

nada fácil.



queria ser Rio

ou, pelo menos,

sentir-se como tal.



a sua vida

foi pautada,

desde a nascença,

por essa crença:

encontrar o azul

na felicidade

salgada.



quase nasceu numa Ribeira,

afluente do Guadiana,

ao vagar

das correntes

lentas.



nessa sua vida,

só

meteu água.



conheceu muitos Rios,

inspirou-se neles,

seguiu os seus passos,

ouviu-os de perto.



conheceu o Shannon

num abril de águas frias

e afogou-se

no escuro do douro.



beijou o Mondego,

com sede de inverno,

e abraçou o Tejo

como um amigo

que acalma as dores.



renasceu no Arade,

depois dos amores

perdidos.



acabou por chegar ao Mar,

não como um Rio bombadão,

mas como lágrima,

parideira de muitas outras,

oriundas

de um coração

impreparado,



fonte

de um itinerário

pouco estimado,

de solidão.




 
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agniceu
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