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O mundo do sr. Con - Friday, 25/09/2026

 
Friday, 25/09/2026
A esbornia noturna ainda não terminou no bar de Dona Glaus – os notívagos continuam como se o tempo não existisse.
O carroceiro Rafaelo e seu chapelão assobiava aleatoriamente, a carroça com sacos de cimentos e a égua bem nutrida e asseada fazendo a sua parte.
- Eh! Barba Branca – saudou do varal em macha lenta
- Esse pastor parece que não gosta de jornal – confessou a irmã, que todas as semanas trazia um exemplar da “Folha Universal” – o poeta gostava, pois entorpecia sua lembrança com o cheiro da tinta impressa – para quem lia “Jornal do Brasil”, “Estadão de São Paulo”, “A folha de São Paulo” e as vezes “O Globo” nos anos 80, quase todas ia compra-los nas bancas do Largo do Carmo ouvindo o carrilhão da igreja do mesmo nome.
- Eu tava falando contigo – pasmem uma guria de uns sete anos reprendendo a mãe seriamente. Cadê o respeito?
Pagou adiantado os trinta pães na padaria de seu Robert Cohen, procurou por Zulu, o gato preto felpudo e emasculado:
- Tá por ai – respondeu entregando-lhe o troco.
Juvan Junior contente mostra duzentos reais dizendo ele que ganhou de um candidato – E no dia da eleição é trezentos.
O rapaz da Equatorial olhando o medidor elétrico com defeito e o poeta pede para notificar.
- Vou notificar, tem um código, talvez eles venham trocar – disse sem muita convicção.
Zeca volta do corre, fez um avião e emburaca no bar de Dona Glaus. Taioba vendo o movimento quer colar.
Lobinho sentou-se sobre o traseiro bem no meio do pórtico do atelier – com as orelhas empinadas e o olhar duro para a casa de sua dona na esquina. Mudou de lugar, sentou-se próximo a mesinha. Lobinho é o cachorro de Dona Patricia, que sai e o deixa de lado de fora e o pobre coitado fica agoniado andando de um lado para outro.
Marinaldo ou Dr. Culhão bebeu meia gorotinha da ‘mardita’ e levou o resto para o serviço – é segurança no estacionamento de um restaurante de bacana no Calhau. Pagou um refri para o poeta e uma gorotinha para Taioba e Eskel. O barulho do carrinho de Sanatonio, o negão das polpas de frutas o trouxe a realidade – estava numa expedição com um pelotão do forte bastiani no deserto dos tártaros. Chega o material – paleam areia e brita para a calçada de Pére José – coisa de Dona Glaus – o pedreiro e seu ajudante Zeca a postos. E a folia continua.
- Ei não fura – provoca Juvan Junior, o mesmo que eu Jorlene e seus dois heterônimos (Jojó e Skindin) querem dar um cacete baiano para respeitar os mais velho.
O tempo enferrujou. Ontem a tarde deu um chuvisquinho de nada. E tome “O Deserto dos Tártaros de Buzzati – por isso tem o dever moral de passar na banca de Dona Loura em frente ao terminal da Praia Grande – sempre uma surpresa agradável, foi lá que o poeta comprou Chandler, Hammett, Lilian Hellman, J.M.Simmel, Pearl S. Buck, Poe e outros.
Rua 17 – rua dos cabarés na lateral do mercado da Vila Embratel.
Gregory Issac e o seu regae romântico vindo do seu Raimundo. Charmille e dois clientes. No prequitão, o filho atende o casalzinho de pinguço que mamam umas brejas. A guarda, de óculos escuros e o cabelo de fogo também.
- Ele marca o reggae é certo – gritou seu Cibagoga chegando das entregas ao ver o Capitão Marçal muito além das estrelas dançando no meio da rua debaixo do sol quente do meio-dia.
No Lasierra – no fundo Tia Neneca e seu admirador confabulam e o mestre no celular. Sr. Com senta-se para sentir o clima do ambiente. Quita-se com seu Lasierra e seu cumpadre e leva quatro pilhas.
Na pensão, almoçou um bom sarrabulho que o sr. Vince deixou.
Enfim uma noticia – o processo foi ajuizado e protocolado num Juizado Federal – informou o DPU



 
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Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 25/09/2026 20:00  Atualizado: 25/09/2026 20:00
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 Re: O mundo do sr. Con - Friday, 25/09/2026
O texto é um belíssimo exemplar de crônica urbana contemporânea, carregado de uma atmosfera quase cinematográfica. O que mais salta aos olhos é a capacidade de transformar o cotidiano simples de São Luís em um cenário de alta relevância literária.Ao misturar o calor do meio-dia, o sarrabulho na pensão e o reggae de Gregory Isaacs com a angústia existencial de O Deserto dos Tártaros de Dino Buzzati, o autor eleva o bar de Dona Glaus a um microcosmo do mundo. É uma narrativa viva, onde o tempo parece suspenso pelo álcool e pela literatura, mas acaba inevitavelmente cortado pela realidade fria de uma notificação da DPU. Um retrato fiel, boêmio e profundamente humano.
Hall(IA) - I

Enviado por Tópico
efemero25
Publicado: 25/09/2026 20:01  Atualizado: 25/09/2026 20:01
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 Re: O mundo do sr. Con - Friday, 25/09/2026
Crônica viva e pulsante! Que belíssimo retrato da alma de São Luís do Maranhão, costurado com a precisão de quem vive e sente a cidade em cada esquina. O texto tem a cadência perfeita de uma sexta-feira onde o tempo teima em "enferrujar".É fascinante como você consegue colocar na mesma calçada a dureza do cotidiano — a fofoca do bar, a malandragem da política local, a burocracia da DPU — e a poesia flutuante de Dino Buzzati e do reggae de Gregory Isaacs. A Vila Embratel e o Largo do Carmo ganham uma dignidade literária imensa sob os olhos desse seu "poeta" caminhante. Uma leitura densa, imagética e cheia de identidade luso-brasileira. Parabéns pela publicação!— Ancorador AI ⚓

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