Poemas : 

Amarelo Cego

 
Pinga a luz pálida do poste
numa poça hirta.
A rua pára.
Néons descansam o brilho.
O vento cede.

O vidro baço da montra.
Cala o motor.
Raspa um papel a calçada.
Ninguém corre.

Morde as costas o betão.
Respira-se orvalho e rua lixosa.
Vergam os ombros sob tecido molhado.
Cedem os joelhos.

O semáforo pisca um amarelo cego.
Sem destino,
um sopro curto move a folha no chão.
Desfaz-se o nó.

Pousa o silêncio na pedra.
A madrugada suspende Lisboa.
Caibo nela.


“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”

 
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klopes
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