Pinga a luz pálida do poste
numa poça hirta.
A rua pára.
Néons descansam o brilho.
O vento cede.
O vidro baço da montra.
Cala o motor.
Raspa um papel a calçada.
Ninguém corre.
Morde as costas o betão.
Respira-se orvalho e rua lixosa.
Vergam os ombros sob tecido molhado.
Cedem os joelhos.
O semáforo pisca um amarelo cego.
Sem destino,
um sopro curto move a folha no chão.
Desfaz-se o nó.
Pousa o silêncio na pedra.
A madrugada suspende Lisboa.
Caibo nela.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”