Poemas -> Sombrios : 

Laudes à Morte

 
Laudes à Morte


Calem-se os poetas,
Ruam as ilusões,
Matem-se os ascetas,
Afastem-se os vilões,
Cativem-se as musas,
Destruam-se paixões,
Imagens difusas,
E bobos corações.

Vivam os cobardes,
Ao som de trombetas,
Dancem em alardes,
Quedas de cometas!
Vivam, os errantes,
Obtusos, patetas!
Morram os amantes,
Estirados em valetas!

Viva eu, ogre cruel,
De ti, um tirano,
Danador insano
Destilando fel
De ti flor, profano,
Actor de papel:
Fim! Fim! Desce o pano...

Vem! Vem, doce Morte,
Abriga os sem sorte,
Traz ventos do norte,
Faz-me teu consorte,
Cede à minha corte,
de noivo sem porte,
Prisão negra, forte,
Vem, querida morte!


Poeta sem Alma


Redondilha maior.
 
Autor
Poeta.sem.Alma
 
Texto
Data
Leituras
15
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
0 pontos
0
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Links patrocinados