Quase fui…
poeta,
a peça certa,
bom pai,
filho,
esposo,
amigo.
Na vida de alguém,
num poema,
nesta casa,
nas jornadas
peregrinas
de uma vida…
Quase…
Faltou algo
depois dos inícios
bonitos.
Fui quase sempre assim:
uma caixa vazia,
tão bonita,
disfarçada
de livro,
de abrigo,
de afagos.
Contudo,
quando os obstáculos apareciam,
despiam-me
e rasgavam
a melhor parte...
A parte superficial,
a camada de papel
que escondia a verdadeira
pele,
aquilo que verdadeiramente
era e sou:
o monstro
desnudo
perante o mundo.
“Acredito que o céu pode ser realidade, mas levarei flores para o pai - Erotides ”