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Fim de tarde

 
Era um bom fim de tarde. Daqueles fins de tarde de filme. Na praça a esplanada, as muitas mesas verde-escuro com guardanapos de algodão grosso e imaculadamente brancos. A heroína, sentada escondida entre o guarda-sol e a sua capeline, e atrás duns óculos muito escuros, largos e redondos de massa, segurava lentamente no copo de vidro, o Martini transparente e fresco, como a brisa que começava a soprar naquele fim de tarde e fazia flutuar o vestido Givenchy azul com pintas brancas, a brisa quente daquele fim de tarde.
As pombas, inquietas, voam e arremessam-se em bando contra a estátua a meio da praça, desviando-se no último momento, numa demonstração quase imperceptível mas real de auto-controlo. Ela tenta imitá-las; há largos minutos que o ponteiro dos segundos ganhou um cariz irritante, teimando em rodar sem parar em torno do centro do relógio. E o seu aliado ponteiro dos minutos, esse estúpido, corre atrás dele como ele lhe fazia a ela quando se conheceram. Ah, se o tempo tivesse parado então! O relógio vence. Deixando uma nota sobre a mesa, desliza discretamente até ao passeio. Ele não veio. Subitamente, um forte chiar de pneus trava quase dentro da esplanada. É ele. Sai de mãos nos bolsos, a sorrir. Desculpa, (elas adoram que se peça desculpa!), vim pela marginal. Quase não chegava cá hoje, riu-se. Parei para comprar isto, estendendo-lhe uma rosa vermelha. Sentaram-se. Os pombos já te tinham ausentado. Curiosamente parecia que o ar ficara mais quente, aquecido pela noite que estava a começar.

 
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voronov
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