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Poemas, frases e mensagens de Ana_She

Seleção dos poemas, frases e mensagens mais populares de Ana_She

Tenho quase certeza de que é de Violoncelo

 
 
Acho meu som é de
Violoncelo.
Talvez  eu esteja errada,
Pois antes pensava
Que era de pássaros
Alegres,
Voando em bando
Pelo céu de Boa Viagem

Também, confesso,
Houve momentos
Nos quais senti meu
Som semelhante
Ao da faca batendo
Insistentemente no
Corrimão de cobre
Da ponte Velha.

...

Eu desapareci do mundo
Depois dos 7 anos, mas
Voltei aos 12, então, arrastei-me
Na sociedade até 2014
(Ano do Cavalo de Madeira),
Quando perdi de vez
Os contornos.
Hoje sou só som. E
Tenho quase certeza de
Que é de Violoncelo ...

Bach Cello Suite 
 
Tenho quase certeza de que é de Violoncelo

Vermelho

 
 
Baila na rua de noite,
Baila na rua de dia ...

O toque dos
Tambores
Tocam-me
O quadril
Pra lá e
pra cá

Vermelha pele
Excitada
Vermelho som
Invasor,  conquista-me seu
Ritmo,
E triunfa no batom
Carmim
Que o movimento
Trouxe
Pra mim

Ah,  um som redondo
A deslizar
Animado
Pele abaixo

Veja como se joga
A saia vermelha,
Uma chama
Ardente
Estimulada
Por brisas
Amorosas

É só esperar
Um pouquinho, e
Remexem os
Ombros,
Circula o
Umbigo,
Em requebros:
Direita -
Esquerda -
Pra frente -
Pra Trás   

Tudo
Agasalhado
Pelo manto
Vermelho
Aceso.

Baila na rua de noite,
Baila na rua de dia  ...
 
Vermelho

Agora é hora de dormir

 
 
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Agora é hora de dormir,
Não de pensar em poesia ...

Quando ele fala, seu pomo de adão
Move-se, dizendo outra história
Mais dogmática,  mais aplicável
No meu dia a dia, e
Eu tenho vontade de chupá-lo

Agora é hora de me abrigar
Embaixo do cobertor,
Não de lembrar de rimas e limas ...

Quando ele encosta seus contornos
Frontais
Nos meus costais,  e nenhum
Espaço nos separa mais, e me
Sinto à vontade para rebolar, e
Falar-lhe algo doce e quente, e
Segurar suas mãos nas minhas,
Eu tenho vontade de chupá-lo,
Abraçá-lo e o amar.

Já estou na alta madrugada, é hora de
Fechar os olhos e
Descansar ...

...

Quando eu desafio o destino,
Expressando meu feliz desatino,
Ele me sobrecarrega com dores,
Então, enlouqueço mais, visto meu dia
Com mil cores e fantasio amores.

Mas agora é hora de dormir,
Não de escrever poesia ...

____

 Musica: Sam Smith - Too Good At Goodbyes 
 
Agora é hora de dormir

Talvez

 
 
 
Talvez

 
Talvez devesse
Eu me apaixonar mais pela poesia,
Não pelo motivo.
 
Pela rima,
Não pelo sentimento
 
Pela alegria,
Não pelo ardor
 
Talvez devesse
Eu querer mais a mim
Que as minhas vontades,
Esse instante,
Não um futuro amoroso,
A água que bebo agora,
Não o jantar romântico
À noitinha
 
Talvez devesse
Ser uma pintura desse momento,
De modo a não mudar mais nada
No meu semblante,
Tão eu, tão meu
 
Talvez eu devesse
Engolir o choro,
Rir comigo mesma dessa tristeza,
Olhar a paisagem exuberante
Que me acena
Logo adiante, e me
Sentir parte dela, plena.

_____________

Olá,

Adorei o convite para participar do "Sarau O Grito da Poesia".

Eis minha participação :)
 
Talvez

Linhas Manhosas

 
 
 Linhas Manhosas

Dentro do seu peito ergui meu lar
Delicadamente no meio das flores
Esperando a cada manhã seu olhar
Confiante voltar-se a minhas cores

 Eu amo seus traços, seus passos,
As suas mãos sobre o meu quadril,
Quando tomo seu coração de aço,
Botando inversa a minha tez febril.

Com ardor, fala meu nome, Amor,
Colore esse relevo com seu azul;_
Os espaços do meu nordeste-sul

Aí veremos juntos nosso sol se pôr,
Após variadas manhãs articuladas
Nessas manhosas linhas traçadas.

27.dez.2015

 
 
Linhas Manhosas

Budapeste

 
Budapeste
 
(Hoje, somente hoje, penso, estou varada de saudades ...)

Budapeste

Por amor a ti,  não escreverei
Sobre a morbidez que passeia
Nas cavidades do meu coração...

Lançarei a mão no meu baú de
Memórias,  segurando as mais
Doces ... em que apareço  com
Vestido cor-de-rosa  ... sorrindo
Meu batom aveludado para
Tua boca de homem gostoso
Que sabe tratar bem uma mulher
Frágil,  embora independente.

Então te peço:
Toca-me delicadamente ...
Sem pressa,
Sem alarde,
Sem dúvidas.

Fala para mim de teus sonhos,
Do que te mantém vivo,
Da tua chama, a tua
Motivação ... de teu amor ...
Do que te faz levantar
Todos os dias  para a lida,
O que te faz
Te encantar  pela vida ...

Pois busco alicerces  para
Reconstruir o mundo  que
Ruiu bem à minha frente,
Fazendo o sopro da vida
Escapar de meus olhos, por
Não conseguir mais
Capturar  felicidade  ...

Entretanto, houve um bulir no coração
Quando dobrei a esquina em
Budapeste  e imaginei como
Teria sido bom te encontrar ali feliz
Da vida e, sorrindo, a me dizer:
Olá, querida cujo nome
Nunca mais repeti ...
 
Budapeste

Mil olhos

 
 
Sinto falta do meu passado
Recente,
Sinto que deveria ter agido mais
Mas não o fiz,
Pensando que teria mais algum
Tempo.

Deveria ter apreciado mais aquele
Ar animado que soprava livremente
Sobre meu corpo
Mas não o fiz,
Acreditando que seu sopro seria
Infinito.

Deveria ter
Escutado mais the cranberries,
Ensaiado numa peça
Um drama que nunca me
Atingiu,
Só para tingir de aventura
As esquinas que me conduzem
As mãos, ora ressecadas pelo
Vazio, até
Meu lar, quase também vazio de mim ...

Sei que no futuro
Terei  Saudades do que sou hoje,
E terei a sensação de que ainda
Há inocência em mim ...
Mas claro que não,
Não depois do surgimento desses
Mil olhos sobre minha face
Mais envelhecida ...

No entanto,  continuarei cantando
Qualquer coisa,
Só para preencher o tempo,
Nas horas vazias de
Emoção,
Enquanto eu ainda sou eu.
 
Mil olhos

mona errante

 
mona errante
 
mona errante

quisera ser vagabunda
andar nas madrugadas
pelas ruas pouco iluminadas
do Recife Antigo

copo de cachaça na mão
pão com manteiga na outra
conversar com alguém imaginário
rir de nossas conversas

parar no meio da avenida
gritar vários palavrões
sentar na calçada
e cantar

até que a dor nas pernas
cesse
e do torpor dos sentidos
se aticem com o vento
gélido da noite

uma vagabunda sem hora
de respeito, em prol da liberdade
de expressão
lutando pelo sentido da vida

uma vagabunda sem preconceitos
que venham os críticos
os cínicos
os políticos
os palhaços
os patifes
todos merecem o papo da
mona errante
com sua língua solta
livre, leve e solta ativa
dobrando gargalhadas
no gargalo

olhos acesos
com o fogo alcoólico
face suada, rosada, serena ...
já se despedindo da farra
para tomar lugar no seu vazio
reservado fora do imóvel.

16.09.2009
 
mona errante

Beijo

 
BeiJo

Um querer involuntário
Depois necessário
Presença, amor e paz
 
Beijo

Despertar

 
Despertar

Antes mesmo de abrir
Os olhos,
Raízes mentais espalham-se  lentamente,
Amarrando a vontade na
Inércia e cultivando desesperos ...

Vês?
Esse é o problema mor,
E sua origem mora no cerne da mente,
Maltratando silenciosamente  o coração  ...

Desafio.
Sou eu contra mim:
Eu2 paralisada com o medo
Versus
Eu1 original e altiva

...

Eu1 costumava andar pelas ruas do
Cordeiro,
Livremente,
Sorridente,
Consciente da minha humanidade,
Eu1 dançava no palco da vida
Ao som do universo.
Tinha sonhos com 'fireworks',
Esperanças

...

Eu2 morro diariamente,
As esperanças nunca morrem ...
 
Despertar

Não sou perigosa ...

 
 
Chove  torrencialmente
'Glitter' e purpurinas, e
O mundo invisível me pede
Para festejar
Minhas  boas ações:
Arrodeei sua existência
Sem macular
Sua essência.

Eis que você
Circula
Lindo e brilhante
Tal como estava
Quando o vi na
Primeira  vez.

Ah, estou feliz porque
Não lhe tirei a tez
Nem lhe apaguei
A luz. Passei por sua vida
Sem confeccionar
Ruínas nas suas ruas.

E, embora eu mesma
Tenha me desconstruído
Para dar espaço a tanto
Amor no peito,
Nada disso
Tem importância
Agora que o
Vejo absoluto,
Como sempre o
Foi. E deve ser, se
Assim prefere.

Ah, agora posso comemorar a
Vida e oferecer
Abrigo sob minha
Umbrela
Para quem deseja
Evitar as
Chuvas frias, ainda que
Tolerando meu
Rebolado.

 
 
Não sou perigosa ...

Beijo

 
 
Fome
De sua boca,
Cada canto
Beijá-la,
Depois de molhada
De vontade.

Fome
Apaixonada
De sua língua
Falante
Dobrando o ar
No céu da boca
Ao declarar
Amores exclusivos
Por mim

Fome
De seus mimos
Enquanto
Encaixo suada
Meu tórax no
Seu
Consumindo todo
Oxigênio
Das redondezas
Vagamente
Descontrolada.

Desejo
De mastigar
Sua poesia
Depois desse
Beijo.
 
Beijo

tigresa

 
 
após longo tempo,
acordei com
muita vontade
de ser feliz.

fui ao nosso antigo
quarto e, finalmente,
usei o presente
que vc me deixara,
antes de ir embora.

abri o pote-mimo
reluzente e bebi
todo o seu líquido.

não demorou muito,
anoiteceu o meu viver ...

infinitos vagalumes
invadiram meu quarto
escuro
e viram minha epiderme
se cobrir de pelos
dourados; minhas unhas
crescerem negras e afiadas;
meus caninos
se agigantarem.

linhas negras longitudinais
apareceram na minha face.
listas negras horizontais
espaçadas
surgiram do pescoço
aos pés. enquanto
avançavam pelo tronco
e além do ventre,
um furação quente
infernava-me as entranhas.

meus sentidos estavam
aguçados.
arranhei todas as paredes
do quarto.
queria tudo
com urgência. queria
espaço amplo.
precisava da rua.
precisava de movimento;
abrir os braços;
levantá-los;
descer as mãos dos ombros
ao ventre;
girar e rodopiar
na calçada da Soledade;
pular sobre o teto das
estações dos BRT’s.

necessitava
bramir do seu alto
aos transeuntes toda
minha alegria;
meu desejo de dar
e receber muito amor.

até que não me restasse
mais força.
até que não me
lembrasse  mais
do seu abandono;
que eu definitivamente
deixasse de ser eu
para ser uma tigresa.

(25 de novembro de 2014)
 
tigresa

Parceria

 
 
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Parceria

Os pássaros de Boa Viagem
Não são gaivotas

No ritmo do seu voo conjunto,
Dezenas, em sincronia, brincam de
Roda gigante levitante e
Carrossel acelerado

Os pássaros de Boa Viagem
Não são gaivotas

Não caminham pela beira-mar,
Não seguem o pescador,
Voam rasante por cima dos automóveis,
E libertam seus ocupantes da rotina
Absurda, da
Escravidão da idéia fixa,
Do pensamento recorrente

As asas da imaginação abrem-se
Orgulhosas,
Um rosto bonito no retrovisor sorri,
Ainda há tempo para mudanças

Os pássaros da praia de Boa Viagem
Não são gaivotas parceiras,
Mas, ouvindo a sinfonia da natureza,
Bailam ritmados no céu azul
Tocando seus delicados pés
Nos ventos mornos de alegria

____

Stand by me - John Lennon
 
Parceria

Amor

 
Haikai  II

Amor

Árvores floridas
Vento, chuva - de pétalas 
Perfume nos cabelos
 
Amor

MoReNiCe

 
 
MoReNiCe

Sou sua morena e
Amanheci cantante,
Sentindo seu amor
Com cheiro de
Homem vigoroso 

E sorrio zonza ao
Imaginar minhas
Mãos dentro de
Sua camisa,
Todo esse humor caloroso
Aí dentro, e um
Rio que escorre
Aqui.

Que bom seria
Misturar minha
Morenice na
Sua pele
Acolhedora,
Entrelaçar minhas
Horas nas suas.

Sou sua morena e
Meu rosto só quer
Encostar no seu,
Meus olhos só 
Veem os seus,
Minha boca só 
Adora a sua.

Sou sua morena
Bronzeada,
Sua mulher 
Amada,
Com entrada franca
Para fazer tudo o que sempre quis
Sobre a coberta branca
Que você me estendeu,
E onde, todo tão masculino e
Meu, 
Convida-me para ser
Feliz...

Música: Madrigal (Composição: Fernando Deluqui / Luiz Schiavon / Marcelo Barbosa / Nil Bernardes)
 
MoReNiCe

Não sou

 
 
Acho que sou a mesma
Que correu atrás do
Balão de São João:
Grande descente
Losango colorido e
Luminoso

A mesma que enxergava
Beleza no cordão (do embrulho
De padaria) percorrido pelo
Pingente de ouro encontrado na
Areia do parquinho de minha
Diversão

Sou uma criatura que só
Inicia o pensamento acerca das
Necessidades alheias depois,
Bem depois, de a 'barriga' se
Saciar  com doces de figo
Cristalizados

Acho que não sou tão boa
Quanto pensava que fosse
Ontem
 
Não sou

Entre felinos e rios

 
 
Entre felinos e rios

Não te preocupes
Com meu jeito
Oblíquo e
Por eu amiúde
Chegar
Por trás

Gosto de te ver
Em vários
Ângulos
Teu perfil,
Tuas costas,
Oh, onde eu
Poderia deslizar
Meus dedos
Molhados ...
Poderia,
Não é? ?

Dá-me prazer
Observar
Teu movimento,
Teu dengo,
Querendo chamego.
Talvez me pegues
As mãos e as ponhas no
Teu peito,
Ou me ofertes um
Cantinho ao teu
Lado no leito
Do rio ensolarado, que passa
Delicadamente entre
Nossos momentos.

Mas não te intimides
Com meus olhares.
Diz-me: pare!
E eu paro,
Calo, porém
Te lambo, te ouço,
Toco, mordo (um tico) e
Amo,
Se tu me alisares
O pelo e, tão ou mais,
Beijares a rosa vermelha
Sob a minha
Mão.

 

20h23
 
Entre felinos e rios

Espelho meu ...

 
 
Espelho meu ...

Não desenrolharei as garrafas
De vinho tinto seco
Visíveis no plano de fundo do
Espelho ...

Não, depois que meus dedos
Afundaram nos braços finos, gélidos e macilentos.

Só por hoje, minha bebida será
Água,  suco, chá e café

Um dia, meus cabelos serão
Sedosos novamente,
E a pele, quente,
As unhas, rentes e
Fortes,
Serei toda eu
Animada, com
Brancos dentes.

Só por hoje, minha bebida será
Água,  suco, chá e café

E esse nada
Que me toma o rosto,
Emagrece-me os membros
E me dilata o ventre
Desaparecerá
Da imagem que
Vejo do espelho.

Só por hoje, minha bebida será
Água,  suco, chá e café

Espelho, espelho meu,
Há alguém mais
Bonita que eu ...??

5h12

______
Nasci quando o dia começou, e tudo me era ensolarado ...
 
Espelho meu ...

Um pouco mais de ilusão

 
Não me envergonho de,
Mais uma vez,
Voltar àquela
Estrada
Para ouvir
Seu discurso
(Que ainda amo ...)

Já que eu andava
Amiúde olhando
Para trás mesmo ...

Com esperanças de,
Talvez,
Ter a chance de
Concluir que
Errei,
Quando rasguei
Meu coração,
Vociferando
Que você
Nunca me
Amou ...

Tantas vezes fui
Cruel com meu coração,
Coloquei-o, de castigo,
Na calçada mais fria da
Rua da amargura  ...

É que ele não me deixava
Viver a realidade, ele
Só queria você, você, você ...
Tirou-me o movimento,
A minha liberdade,
Exigindo tocar na sua pele,
Dia e noite,
Rogando para ser também
Querido
Por você  ...

E você nunca me amou ...  :(

Enfim,
Um pouco mais de ilusão
Não há de me deixar mais infeliz.
 
Um pouco mais de ilusão

Nasci quando o dia começou, e tudo me era ensolarado ...