https://www.poetris.com/
Fernando Pessoa : Intervalo Doloroso
em 24/08/2012 12:08:59 (2894 leituras)
Fernando Pessoa

Como alguém cujos olhos, erguidos de um longo (...) de um livro, receba a violência para eles de um mero claro sol natural, se ergo às vezes de mim os meus olhos de ver-me dói-me e arde-me fitar a nitidez e independência de mim da vida claramente externa, da existência dos outros, da posição e correlação dos momentos no espaço. Tropeço nos sentimentos reais dos outros, o antagonismo dos seus psiquismos com o meu, entala-me e entaramela-me os passos, escorrego e destrambelho-me por entre e por sobre o som das suas palavras, estranho o ser ouvido em mim, a apreço forte e certo dos seus passos no chão atual, os seus gestos que existem verdadeiramente, os seus ásperos e complexos modos de serem outras pessoas que não variantes da minha.

Encontro-me então, nestes abismos em que me precipito às vezes, desamparado e oco, parecendo que morri e vivo, pálida sombra dolorida, que a primeira brisa deitará por terra e o primeiro contato desfará em pó.

Pergunto-me então em mim pró´rio se valerá a pena todo o esforço que pus em me isolar e elevar, se o lento calvário que de mim fiz para a minha Glória Crucificada valerá religiosamente a pena? E , ainda que saiba que valeu, pesa-me neste momento o sentimento de que não valeu, de que não valerá (nunca).


Imprimir este poema Enviar este poema a um amigo Salvar este poema como PDF
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 17/09/2012 08:01  Atualizado: 17/09/2012 08:01
 Re: Intervalo Doloroso
burberry schal burberry schal
burberry schal outlet burberry schal outlet
ugg boots günstig ugg boots günstig
UGG Boots UGG Boots
UGG Boots sale UGG Boots sale
ugg boots günstig ugg boots günstig
UGG Boots UGG Boots
UGG Boots sale UGG Boots sale
pandora schmuck

Links patrocinados

Visite também...