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Pablo Neruda : LVII
em 10/10/2008 22:00:00 (2923 leituras)
Pablo Neruda

Entre os espadões de ferro literário
passo eu como um marinheiro remoto
que não conhece as esquinas e que canta
porque sim, porque como se não fosse por isso.

Dos atormentados arquipélagos trouxe
meu acordeão com borrascas, aragem de chuva louca,
e um costume lento de coisas naturais:
elas determinaram meu coração silvestre.

Assim quando os dentes da literatura
trataram de morder meus honrados talões*,
eu passei, sem saber, cantando com o vento

para os almazéns chuvosos de minha infância,
para os bosques frios do Sul indefinível,
para onde minha vida se completou com teu aroma.


* talões - no sentido de calcanhares


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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 24/10/2008 13:09  Atualizado: 24/10/2008 13:09
 Re: LVII
Que somos nós senão nossas experiências?
Somos também gestos, pensamentos, quereres, mas de concreto mesmo, só o que aconteceu e nos aconteceu. E isso tudo nos forma e tranforma.

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