Ela se refez pela escrita como quem recolhe os próprios cacos com cuidado sagrado. Quando o mundo lhe faltava, era a palavra que ficava. Não como fuga, mas como abrigo. A poesia tornou-se sua íntima inspiração — um lugar secreto onde ela podia existir sem pedir licença, onde a dor não era negada, apenas transformada.
Desde cedo, a vida lhe ensinou a perda. Uma infância dificultosa, marcada por ausências, silêncios e aprendizados duros demais para mãos tão pequenas. Ainda assim, algo nela resistia. Mesmo sem nome, mesmo sem voz, já havia um fio invisível costurando sua sensibilidade ao que viria a ser escrita. Cada queda, cada abandono, cada noite longa ia se acumulando como matéria-prima da mulher que nasceria depois.
Ao crescer, não se tornou amarga. Tornou-se profunda. A escrita foi sua forma de atravessar o caos sem se perder de si. Escrevia para entender, para suportar, para respirar. Dedicava seus versos a si mesma, à própria vivência, como quem diz: eu existo, eu sobrevivi, eu continuo. A poesia não lhe prometia finais fáceis, mas lhe devolvia sentido.
Houve perdas ao longo de toda a vida — pessoas, sonhos, versões antigas de si. Mas também houve restauração. Palavra por palavra, ela se reconstruiu. Não apagou as cicatrizes; fez delas testemunho. Aprendeu que caráter não nasce do conforto, e índole se revela justamente quando tudo tenta nos endurecer.
Hoje, é mulher de presença firme e olhar consciente. Carrega uma ética silenciosa, moldada pela dor, lapidada pela escrita. Sua história não é de vitimismo, mas de travessia. Ela venceu as dificuldades não porque a vida foi gentil, mas porque decidiu não trair a própria essência.
E se alguém perguntar de onde vem sua força, ela talvez responda em verso. Porque foi escrevendo que ela se encontrou. Foi escrevendo que ela se salvou. E é escrevendo que ela permanece inteira
Fragmentos de Sonhos
Senhora Poesia
Chegando em 2026
Assim, inteira!
Ano abençoado a todos 🎈