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Embargados os gestos repousam agora em adagas doridas no sangue das memórias pelágicas.
Nuvens de caruncho engolem a montanha em orgias de ventos. A manhã librina e fria chora a demora da noite incendiada, retesa-se aposta às costas velhas da cadeira e engole a dor da incerteza no agridoce toque dos lábios retalhados.
O ventre eclode aprisionado às Brumas de Avalon, o Mundo nu palmilha a foz do rio.
As correntes rebentam-se da prisão das horas simuladas em danças de luas cheias se a neblina dá forma ao dia de ruas esquecidas. Rasgam-se as entranhas dos sexos e dos seios na destreza das mãos por acontecer.
Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada.
Às águas são por fim a liberdade da escolha a escorrer dos olhos de uma mulher.
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Mel de Carvalho www.noitedemel.blogs.sapo.pt www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)
MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.
| Enviado por |
Tópico |
| flavio silver |
Publicado: 22/10/2007 14:02 Atualizado: 22/10/2007 14:02 |
Colaborador   Usuário desde: 24/9/2007 Localidade: barcelos Mensagens: 1543 |
 Re: Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada. a tua imagem poética é sempre favorável à imaginação. "gostar" dos teus poemas é uma palavra vaga para classificar, portanto, olha, envia-nos mais sensações como este poema que nos habitua a contemplar.
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| Enviado por |
Tópico |
| cleo |
Publicado: 22/10/2007 14:15 Atualizado: 22/10/2007 14:15 |
Colaborador   Usuário desde: 02/3/2007 Localidade: Queluz Mensagens: 3941 |
 Re: Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada. Querida amiga Mais um dos teus poemas de tristeza. De tanta dor ver espalhada, espelhada... Que culmina com os teus olhos marejados Das águas que te trazem o alívio da alma... Beijo 
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| Enviado por |
Tópico |
| Cathia |
Publicado: 22/10/2007 15:38 Atualizado: 22/10/2007 15:38 |
Super Participativo   Usuário desde: 08/6/2007 Localidade: Porto Mensagens: 198 |
 Re: Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada. Adorei o poema...bjão muito grande
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| Enviado por |
Tópico |
| MariaSousa |
Publicado: 22/10/2007 20:43 Atualizado: 22/10/2007 20:43 |
Membro de honra   Usuário desde: 03/3/2007 Localidade: Lisboa Mensagens: 3857 |
 Re: Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada. Belo!
Bjs
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| Enviado por |
Tópico |
| juvepp |
Publicado: 23/10/2007 18:32 Atualizado: 23/10/2007 18:32 |
Colaborador   Usuário desde: 13/4/2007 Localidade: Machico - Madeira Mensagens: 643 |
 Re: Bebe-se o vidro do vinho em taças de nada. Olá Mel, No turbilhão e na fúria tempestiva com que "os olhos de uma mulher" Contemplam a falta de liberdade, surge um poema de metáforas, comparaçoes e imagens surrealistas. Bonitas por sinal. "Nuvens de carruncho engolem a montanha/Em orgias do vento". Se tomarmos o "carruncho das nuvens" como aqueles bichos que todo corroem, então teremos " a montanha" os sonhos, os ideais a serem engolidos, desfeitos, aprisionados por tais bichos, isto é, por questões insignificantes ou mesquinhas. Depois a "orgia dos ventos" tomando-se que o vento é espaço de liberdade, a força indomável da natureza conjuntamente com o sentido da palavra"orgia" como sendo prazer, então teremos o prazer de ser livre Que é o tema do teu poema. Beijinhos 
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