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Partilhar Poemas -> Amor :  Ouso desafiar o propósito da viagem
 
Ouso desafiar o propósito da viagem
num voo audaz de pássaros afogueados
pintados a rubro no azul da pele do céu.

Ouso enfrentar o traçado pré-determinado
num compasso poético e apoteótico,
num aviamento triunfal,
no delírio epidémico e no proclamado êxtase
de um fogo lapidado nos recifes
gelados dos nossos comuns caminhos.

Nos baixios fortuitos e nos escolhos ocasionais
ouso enfrentar silhuetas dúbias reflectidas
nas sombras roucas de vozes projectadas
nos vitrais agora requebrados pela luz
de estrelas desmedidas
na certeza, meu amor,
de que existem rotas abrigadas
em búzios e em ostras ainda não desvirginadas.
Rotas só nossas.
Para nós e por nós traçadas!

Então, desafio-me na ousadia quase morta
Enfrento-me destemida no palco escarpado da vida
Enfrento bestas fustigadas em esporas
numa maquiavélica máquina de passivas horas.
Enfrento metástases, fístulas espiraladas,
chagas ululadas em ruídos sustenidos,
de soluços e sacaroses, açucares lentos,
na faminta sofreguidão de ternuras emancipadas,
de línguas penetradas na alma das salivas.
Ternuras escondidas e ressumadas nas palavras
que ainda não dizemos.
Dos gestos que não esboçámos.
Registos de que o corpo em segredo nos fala,
agasalhados lá no fundo, no convés, ao abrigo
das fúrias das marés.

Então, meu amado,
olho de novo o sonho aqui ao meu lado
neste teu quadro proclamado e
deixo que o amor renitente que nos percorre
e incendeia do corpo à alma, me conduza na vertigem,
no assombro e no delírio de um voo planado
sobre o teu voo de pássaro obstinado.

Porque num outro lado, em algum lado, te sinto
embalado na mesma toada adivinhada
de um mesmo sonho partilhado
em igual estado de desejo
de dar o corpo
de acasalar a alma!
Num selar o sonho com um infindo beijo.




Mel de Carvalho
www.noitedemel.blogs.sapo.pt
www.noitedemel.blogspot.com (só prosa)

MT.ATENÇÃO:CÓPIAS TOTAIS OU PARCIAIS EM BLOGS OU AFINS SÓ C/AUTORIZAÇÃO EXPRESSA

Autor
Mel de Carvalho
Autor Mel de Carvalho
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Texto
Data 29/04/2007 18:49:00
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Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Tytta
Publicado: 29/04/2007 21:30  Atualizado: 29/04/2007 21:30
Colaborador
Usuário desde: 22/2/2007
Localidade: Portugal
Mensagens: 1008
 Re: Ouso desafiar o propósito da viagem
Foi com ousadia que este poema foi escrito,
e fez rolar uma lágrima pelo meu rosto!
Amei!!
Jinhos, Tytta

Enviado por Tópico
Carla Costeira
Publicado: 29/04/2007 22:08  Atualizado: 29/04/2007 22:08
Colaborador
Usuário desde: 16/2/2007
Localidade: Sintra
Mensagens: 1154
 Re: Ouso desafiar o propósito da viagem
Voa, e chega depressa a esse lado, para que esse infindo beijo seja finalmente dado, e concretizam esse desejo!
Gostei!
Bjs miga

Enviado por Tópico
Cõllybry
Publicado: 29/04/2007 22:16  Atualizado: 29/04/2007 22:16
Colaborador
Usuário desde: 01/4/2007
Localidade: Porto
Mensagens: 750
 Re: Ouso desafiar o propósito da viagem
Olá Mel...São tantos os desafios,belo poema do Teu desafio...Bjca doce

Enviado por Tópico
MariaSousa
Publicado: 29/04/2007 22:46  Atualizado: 29/04/2007 22:46
Membro de honra
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa
Mensagens: 3857
 Re: Ouso desafiar o propósito da viagem
A força e a ousadia são duas "qualidades" que me encantam quase tanto como os teus poemas.

Bjs

Enviado por Tópico
Mel de Carvalho
Publicado: 01/05/2007 17:00  Atualizado: 01/05/2007 17:00
Colaborador
Usuário desde: 03/3/2007
Localidade: Lisboa/Peniche
Mensagens: 2314
 Re: Ouso desafiar o propósito da viagem p/ tds os que me leram e comentaram
O meu muito obrigada, pelas palavras e pelo carinho estimulante com que sempre me acolhem!

Um abraço enorme
Mel

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Luso Pensamentos

Frase

É incrível que, no intuito de justificar as nossas crenças, coloquemos Deus na terra e o Homem no céu

(Garrido)



A folha

A folha cai no verão.
( Era folha de papel)
Não consigo pegá-la
Porque o vento é forte
E me leva para longe.

Matheus



Insanidade perfeita

Sinto-me cansada
Já me faltam as palavras!
As que saboreio entre dissabores
Da minha própria loucura
Já não sinto o meu corpo
As vogais consomem-no
Adormece em brandas consoantes
Ficam tantas frases por dizer
Aquelas,
Que já não consigo escrever,
Falta-me a força
A caneta começa a tremer
Soluça.
O meu olhar constrói
O que meu pensamento rejeita
Esta sou eu,
A doce mulher
A insana, poeta...

(ConceiçãoB)



Tempestades

Tudo em mim, são dias de tempestades...
Por isso entrego minha alma à poesia
E meus dias a escrever versos
E meto uns poemas em velhas garrafas
E as levo para as águas intermináveis dos mares
- revoltos e tristes -
E as lanço, na singela esperança
De que um dia alguém os leia
Ainda que meus pés não estejam mais sobre este chão
E meu corpo tenha sido já lançado no ventre desta terra impura
E minha alma tenha também partido
- para a imensidão do infinito com que sonho,
ou para o abismo solitário que me amendronta...

(Vanessa Marques)



Nós de poesia

A vida é feita de incompletudes...
Como os bares de mesas vazias
Nas calçadas
Ou as longas estradas
Repletas de nada dos dois lados

Ainda assim, escrevo
Mesmo sabendo que em mim
desatam-se nós de poesia
E atam-se outros em seguida.

O fato é que
Daquilo que me resta
Faço-me humanamente completa
meramente humana...

(Vanessa Marques)



Frase

"Amor" é o presente dado sem esperança de retorno,
e o que esperamos é apenas que não seja rejeitado

(Junior A.)



Frase

Como posso explicar
Esta dor
Invasora
Da minha alma
Senão dizer
Que és a mentira
Mais verdadeira
Da minha vida...?

(Raquel Naranjo)



Frase

O amor é como a justiça:
Injusto e cego.

(TrabisDeMentia)



Sexto sentido

Tenta ouvir o silêncio...
Ver a luz na escuridão profunda...
Cheirar o aroma da mais pura água...
Sentir a textura do vento...
Saborear a doçura do sal...
Quando o conseguires...
Irás te descobrir...

(gera)



Só saudade

Dor que sente
Dor que não se mede
Que vai e vem

Com a vida vou rolando
Com a dor vou buscando
Talvez alívio...

Quando doer que seja
Sem deixar morrer
Só saudade...

(amasol)



A foz

Se cada coisinha que eu sei correspondesse a um rio... E se cada um deles desaguasse na mesma foz...Esta não teria senão o tamanho de uma bacia bem pequenina na qual eu refresco os meus cansados pés. Os rios seriam tão curtos quanto a minha felicidade, tão estreitos quanto a minha existência, tão secos quanto a minha solidão. Mas talvez, talvez bem no fundo da bacia, talvez para lá das lágrimas turvas, e para que eu me possa orgulhar, talvez sorriam dois peixinhos, que eu, apesar da distância possa contemplar! E quem sabe... Uma flor se incline e faça nascer, na foz uma flor que eu possa colher!

(TrabisDeMentia)