Poemas : 

Cais

 
Tags:  desespero    porto    abrigo    deriva    ancoragem  
 
Na rua do desespero,
sou casco que range no asfalto frio —
destino…
um mastro erguido contra o vento.

Cais de ferrugem.

Vou sulcar a maré revolta de betão;
a esperança, cabo fino —
se arribar for o agora,
o que o porto não entrega.

Por bombordo, a alegria de escuma;
a estibordo, o esforço bruto.
Vaga…
vaga que me despe,
eco de mar sem dono.

Vem na alheta a pancada,
resiliência em través;
a meta…
muro de sal —
salitre a morder-me os pés.

Porto de abrigo?

Mito incerto.
Nesta lida de mar e povo,
o cais é eco perto…
ancorar
é outra forma
de deriva —

e o fundo
é seixo escuro.

No asfalto.


“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”

 
Autor
klopes
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