Na rua do desespero,
sou casco que range no asfalto frio —
destino…
um mastro erguido contra o vento.
Cais de ferrugem.
Vou sulcar a maré revolta de betão;
a esperança, cabo fino —
se arribar for o agora,
o que o porto não entrega.
Por bombordo, a alegria de escuma;
a estibordo, o esforço bruto.
Vaga…
vaga que me despe,
eco de mar sem dono.
Vem na alheta a pancada,
resiliência em través;
a meta…
muro de sal —
salitre a morder-me os pés.
Porto de abrigo?
Mito incerto.
Nesta lida de mar e povo,
o cais é eco perto…
ancorar
é outra forma
de deriva —
e o fundo
é seixo escuro.
No asfalto.
“Ausento-me na quietude das folhas que caem, quando a música do verbo se cala e a alma se agasalha em si mesma.”