Poemas : 

O Bebedor de Absinto

 

Uma lua branca na noite negra,
A se erguer neste pasmado painel.
Só as coisas estão a minha volta,
A terra é o inferno que chamam de céu.

Sozinho eu bebo o meu verde absinto.
Mentira é dizer que eu não minto,
Já a imaginar enormes torres de ferro,
Escrevo como quem tem febre.

Em cima da mesa está o preto tinteiro,
E a janela está aberta para a rua.
Em sonhos bêbados vejo uma virgem nua,
E ela corre entre os coqueiros.

Sou bebedor de absinto há tempos,
Há tempos a minha lira só sabe delírios,
Como quem vê as cores nos ventos,
Ou como quem como uma flor de lírio.


Alves Rosa

 
Autor
darosawagner
 
Texto
Data
Leituras
2684
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
3 pontos
3
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 14/07/2010 10:41  Atualizado: 14/07/2010 10:41
 Re: O Bebedor de Absinto
Bom poema.
Também eu já bebi absinto do metafórico e do real, forte amargo-doce coice para a alma e estômago. Por pouco tempo, felizmente.
Os bebedores de absinto são alucinados porque esta bebida está entre o alcóol e alucinógenio e dá vida curta aos seus amantes. Ou então, aprende a viver sem fígado.
Isto só para dizer que gostei do poema.
Fico na expectativa de mais.

Um abraço.

Enviado por Tópico
SerafimdosSantos
Publicado: 07/08/2010 23:19  Atualizado: 07/08/2010 23:19
Super Participativo
Usuário desde: 04/07/2010
Localidade: Brasil.
Mensagens: 119
 Re: O Bebedor de Absinto
muito bom, parabens!

Enviado por Tópico
lordbyron
Publicado: 28/08/2010 03:41  Atualizado: 28/08/2010 03:41
Muito Participativo
Usuário desde: 03/01/2010
Localidade: São Paulo/ SP- Brasil
Mensagens: 56
 Re: O Bebedor de Absinto
ADOREI! DEMAIS!