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Poemas : 

Na cozinha

 
Tags:  Reflexões  
 
Sentia-lhe como uma pétala de rosa
A alisar-lhe o dorso, com beijos no torço
E dedos desilizando pela sua Personalidade,
sussurrando aos ouvidos
Do ego, indecências sonhadas na realidade.

Despia-lhe de tudo, sem decência
À mesa da cozinha,
embriagando-se de vida
...De filosofias de apocalipses
Distopias, atopias e eclipses...

Éram felizes...

Porém todas as cicatrizes
(Os trizes, as bissetrizes, as atrizes...)
Deixaram a verdade exposta
E ela partida em posta
Por mais um gume
sentiu-se um infeliz legume
Nesta árdua tábua da vida.
“Nascer, crescer, florescer,
Para terminar partida e cozida”
(Quiçá, comida!)

-Merda!
Pensou ela,
-de vida...

Enquanto coava uma cenoura cozida...


Ana Lyra

 
Autor
anakosby
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Enviado por Tópico
JOSÉMANUELBRAZÃO
Publicado: 01/09/2010 18:05  Atualizado: 01/09/2010 18:05
Colaborador
Usuário desde: 02/11/2009
Localidade: Lisboa, PORTUGAL
Mensagens: 7775
 Re: Na cozinha
Se fiz bem a leitura é a história duma Mulher usada apenas como fêmea!

Beijo do ZÉ



Enviado por Tópico
jluis
Publicado: 01/09/2010 18:08  Atualizado: 01/09/2010 18:10
Colaborador
Usuário desde: 18/12/2009
Localidade:
Mensagens: 1295
 Re: Na cozinha
A cenoura coada, depois de no prato colorido, irá.
E a mesa da cozinha continuará a embriagar de vida!...
Adorei ler, grande poetisa.
Beijo
JL


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/09/2010 19:58  Atualizado: 01/09/2010 19:58
 Re: Na cozinha
Ana,como amei ler este!
Lindo tema cheio de sabor!

Parabéns!

Beijos ternos

Rosa


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/09/2010 23:09  Atualizado: 01/09/2010 23:09
 Re: Na cozinha
*Talvez tu traduzes aqui todas as facetas dissonantes da tal felicidade.
Essa, que na verdade é feitura de toda as vivências, as não vivências, os sonhos, os acertos, os erros, as partilhas, os egoísmos...ser feliz é extremamente dialético.
Originalíssima tua escrita. Aprecio ler algo assim, que instiga-me.
Carinho e admiração
K*


Enviado por Tópico
Nitoviana
Publicado: 02/09/2010 00:20  Atualizado: 02/09/2010 00:20
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Usuário desde: 10/04/2009
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Mensagens: 648
 Re: Na cozinha
As reciprocidades nem sempre coincidem, os equilibrios nem sempre se procuram, as intensidades de alma são complicadas de atigir. Destes pressupostos, há um mundo que pode trazer desilusão á parte que mais expectativas cria no que diz respeito ao amor feito almas de se quererem!
E fica uma merda de vida!
Um beijo feito do gosto de ler o modo como trouxeste uma visão de certas coisas.


Enviado por Tópico
GeMuniz
Publicado: 02/09/2010 00:22  Atualizado: 02/09/2010 00:28
Colaborador
Usuário desde: 11/08/2010
Localidade: Brasil
Mensagens: 7281
 Re: Na cozinha
Fazer o que? Deixar o legume lá, enterrado, só, para que? Só para viver por viver? Temos que nos permitir e arriscarmo-nos a sermos partidos e comidos, sim.... E os erros, os enganos e auto-enganos, as mentiras, ah, é sempre assim, dane-se eles virão de qualquer forma mesmo...rs E se a vida for uma merda que seja só lá na frente depois de passarmos pelos seus intestinos grosso e delgado(está correto isso doutora? Dei uma simplificada no precesso... rs)!! Leitura que prende, gostosa!

bjss grandes, poeta!


PS.: Mais este para eu me readaptar...rs.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 02/09/2010 12:02  Atualizado: 02/09/2010 12:02
 Re: Na cozinha
Ola Ana, a cenoura e a mulher...qual das duas e' mais saborosa e nutritiva...rs? Ficou muito bom o poema. Beijos!


Enviado por Tópico
Epifania
Publicado: 02/09/2010 14:12  Atualizado: 02/09/2010 14:12
Super Participativo
Usuário desde: 02/07/2010
Localidade:
Mensagens: 177
 Re: Na cozinha
- Ana, estive a ler com atenção o teu poema. Não me interessa saber quem come o quê e como comer, mas sim como se prepara a comida. Há cenas de grande afirmação e muito á frente, preparadas e às vezes até concluídas em cima da mesa da cozinha e penso até, que aí sim, existe uma grande variedade de pratos a ser preparados com mãos divinas.
Adorei ler

- Eu acho que a fome é um mal que assola o mundo, se não houver capacidade para saber distinguir entre a fome, a vontade de comer, a ansiedade, a valorização dos espaços onde colocar a mesa, e por fim os convidados para o banquete, nas suas diversas, vontades e fomes. Saciem-se todos os esfomeados e que nada sobeje no fim, para não haver história a contar.

Bejo Analya. Ela hoje está mais lá e eu mais cá. Um poema gostoso

Abraço Ana. Gostei de ler