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Poemas : 

amor à escrita

 
- a luís vaz de camões,só hoje -


será lareira
ao corpo
a lenha,

sempre haver

palavr' arder?

queimam-me sons mentais

o crepitar das brasas
e os assobios fatais

sentidos fugidios
em labaredas dançantes

como asas
como cios

insatisfeitos e vorazes
ao toque de mãos
incapazes.


respiro este ar novo
e teima-me o fogo
em oxigénio presente.

falta-me o génio
na água
em que o fogo afogo
nova mente.

rogo não mais escrever

em nada nada ver.

ignorar o calor do lume.


arrefecer a vontade.

preferir a liberdade
de não ser
essa energia

esquecer de tudo a magia.

extingo-me em vida
no verbo amar
perdida mente

e morre de novo a fogueira.



ah,vil,nobre jogo
entre achas e cinzas:

porque nem tudo é fumo
em que me sumo
finita?






cruz mendes

 
Autor
Alexis
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Enviado por Tópico
Julio Saraiva
Publicado: 01/11/2010 03:17  Atualizado: 01/11/2010 03:18
Colaborador
Usuário desde: 13/10/2007
Localidade: São Paulo- Brasil
Mensagens: 4206
 Re: amor à escrita p/a menina alexandra
queria não ter o olho de camões, porque o talento me falta, só para ganhar este poema, que é lindo.gostaria de tê-lo no currupiao.

beijo, lê.

j.


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/11/2010 03:41  Atualizado: 01/11/2010 03:41
 Re: amor à escrita
Ola Alex, uma bela dedicacao ao pai da Poesia Portuguesa! Beijos!


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/11/2010 07:01  Atualizado: 01/11/2010 07:01
 Re: amor à escrita
Alex, o amor devia sempre vencer, ainda bem que te extingues nele...há escrita.

Bj.
alberto


Enviado por Tópico
TRIGO
Publicado: 01/11/2010 09:32  Atualizado: 01/11/2010 09:32
Colaborador
Usuário desde: 26/01/2009
Localidade: Cabeça-Boa - Torre de Moncorvo
Mensagens: 2301
 Re: amor à escrita para ti alexandra
...
alexandra

a
lua
nem
hoje sei
onde pô-la,
como uma lágrima;
sugere-me –. tu, as
estrelas, sei eu que
têm elas o hábito
de dormirem
com os
teus

vestidos




beijo


Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 01/11/2010 10:42  Atualizado: 01/11/2010 10:42
 Re: amor à escrita
Ola amiga espero que te encontres bem belo poema gostei de toda a sua construção, sublinho as seguintes deixas,

"insatisfeitos e vorazes
ao toque de mãos
incapazes"

"porque nem tudo é fumo
em que me sumo
finita?"

Gostei de todas especialmente destas que referi
bjs continua a brilhar quer na escrita e na vida pessoal
vou levar esta comigo.
bjs