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Delírios

 
Delírios

Enquanto ando te vejo, um vulto branco, perfeito (não fosse meu ceticismo, diria angelical). Sua silhueta na janela me faz parar, fico estático na calçada. Desvio o olhar por um simples segundo, só isto basta pra que você desapareça, desespero-me ao te perder de vista. Apoio em uma pilastra, mas não consigo me recompor. Deito-me, ali mesmo, ao chão. O frio da madrugada me deixa febril, começo a delirar. Você se aproxima e me parece não estar bem. Olho tua face e, como gotas de uma taça caída, lágrimas começam a rolar (seria isso somente um delírio?).
A noite se termina, o silêncio da madrugada dá lugar, agora, ao barulho insuportável da pressa. Levanto-me, ainda confuso, e volto a te procurar. Meio tonto, ainda febril, vou vagando, lentamente (contrastando com as pessoas ao meu redor) em busca da tua imagem. Novamente, acho eu, acometido por uma alucinação, te vejo (também lentamente) andando em minha direção. Delírio ou não, foram os momentos mais reais que já vivi. Te abraçar, sentir tua pele, teus lábios como cálices de vinho, só te ver já foi surreal.
Não sei se o que aconteceu naquela madrugada fria e, também, na manhã ensolarada foi real, ou simplesmente um desatino, mas sei que, daquele dia em diante, sonho todos os dias com esses momentos.
Pablo Wendell 08/06/12 02h17min

O que dizer sobre alguém que você nem conhece pessoalmente, mas que te faz bem? Dedico este conto à Cherry Coringa, por ser essa pessoa.
 
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PabloWendell
 
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Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 14/06/2012 21:59  Atualizado: 14/06/2012 21:59
 Re: Delírios
adorei o conto,
entendo como faz bem!

beijinho.
Isa