Os olhos fecham-se
num cansaço de pálpebras feridas
quando teimo em escrever
para lá do fim da noite
refém das palavras que não encontro
para desenhar estas asas
que me restam para fugir
Com o sangue inquinado pelos versos
que o vento afaga com polegares de gelo
atravesso o vidro transparente
de um néon de lâminas oxidadas
em busca da sonolenta luz do dia
nos labirintos tingidos do papel
por onde regresso ao final do poema