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Poemas : 

Apenas mais um dia, afinal

 
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É mais um dia afinal
Em que tudo corre mal
Até o diacho do despertador
Resolveu entregar a alma ao criador

A torradeira resolveu fazer greve
Tornando a minha refeição breve
O gato fartava-se de miar
Na tentativa vã de me consolar

E até conseguiu no leite escorregar
Um grande trambolhão no chão dar
Deixar-me enfim… coisas para limpar
e o dia está somente a começar

Depois de tudo limpo a rigor
Olhei para o relógio com terror
Estava atrasado para trabalhar
Tinha que correr, muito acelerar

Mas na pressa, amiga da confusão
Caiu-me as chaves pelo corrimão
Fechou-se a porta é o meu fim
E nem vestido estava, ai de mim

Os bombeiros foram rápidos
Hábeis com os seus dedos, práticos
Abriram a porta de rompante
Vesti-me apenas num instante

Corri contra o tempo maldito
Entrei no carro muito aflito
Para o azar continuar
Pois ele não queria pegar

Soltando o mecânico que há em mim
Abri o capot procurando a peça ruim
Que fazia o pobre meu chaveco
Estar assim naquele faneco

Eis que por fim fui iluminado
Conclui depois, bem embaraçado
Que sem gasolina, ele não andava
E tinha apenas o cheiro dela e assim engasgava

Tive sorte no meio deste azar
Que fosse naquele instante a passar
A minha vizinha do sexto andar
Que parou para me cumprimentar

Pedi-lhe encarecidamente o favor
De me levar a todo o vapor
Para buscar o aquoso alimento
Que ao carro desse o sustento

Abasteci o Jerrican sem hesitar
Corri direito ao balcão para pagar
Multibanco fora de serviço
Mas que belo de um rico enguiço

O liquido ficou retido a aguardar
Pelo dinheiro que tinha de levantar
Numa caixa próxima qualquer
Para pagar à gentil mulher

Mas as duas que vi estavam paradas
Fora de serviço, mesmo avariadas
Fiquei sem a gasolina e o jerrican
Pior que uma bailarina de can-can

Optei por ir de táxi, a pagar no destino
Era um táxi novo, de aspeto fino
O motorista parecia ser também ladino
Dava boleia à sua esposa e ao seu menino

Mas o menino sentiu-se mal disposto
vomitou-me em cima, foi um desgosto
As desculpas foram pedidas e aceites
Mas o mal estava feito, fiquei com os azeites

Lá cheguei por fim ao emprego
A cheirar a vomito de pudim grego
E a festa ficou depois mais completa
Ao ver na mesa uma carta meio aberta

Estava um silêncio sobrenatural
E nem se ouvia o riso do Florival
Abri a carta tremendo o seu conteúdo
E o que li deixou-me ali mudo

Está despedido por justa causa
Engoli em seco, fiz uma pausa
Depois continuei a ler até ao final
Aquelas palavras cheias de mal

Era um comunicado oficial
Estava desempregado, por sinal
Bati na mesa com o punho fechado
Tudo ficou ainda mais complicado

Quando a mesa deu de si, e eu saltei quando isso vi
Caiu o computador e o infeliz do monitor
E no calor do salto cai em sobressalto
Batendo no separador que fazia de delimitador
Parecia o jogo do dominó caindo todos sem dó
Eu gritando para os avisar, temendo algum se aleijar
A ultima parte foi brutal, mas vingança doce afinal
Quando o ultimo separador, rebentou no corredor
Empurrando a fotocopiadora, que avançou desafiadora
Embatendo no escritório do diretor, que desmaiou com o terror
E se não o tivessem depois puxado, teria ficado decerto esmagado
Quando o teto estalou e ruiu, encima do portátil do Diretor e o destruiu

Para mim… tudo normal
Apenas mais um dia, afinal


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jomadosado
 
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