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DESABAFO

 
Esta farpa encrustada neste peito
verte em pena poética a amargura
fazendo-me sensata na ventura
de consolar a dor no verso feito.

As flores suavizam meu trejeito
enfeitando-o de morte e formosura
e a voz enrijecida, toda escura,
reveste de sepulcro o próprio leito.

A minha escrava alma... pobrezinha...
sem mais lágrimas chora... e definha...
suspira um santo nome à exaustão.

Não aceito a eternidade tão sozinha,
beijo aquela face que é tão minha,
deliro com meus lábios na ilusão.

 
Autor
dellacoelho
 
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Enviado por Tópico
@poetamilnovo
Publicado: 12/10/2016 19:32  Atualizado: 12/10/2016 19:32
Da casa!
Usuário desde: 08/10/2016
Localidade: Salvador Bahia
Mensagens: 488
 Re: DESABAFO
Aplaudo pelo belíssimo escrito em uma oportuna reflexão. Abraços para ti. e um boa tarde.