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Rastros

 
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Rastros

Envolve-me a escuridão fria e eterna
como úmidos e mortos braços gelados
a noite que chega sem ter-me avisado
terna é a morte que a noite governa.

É nesta caverna de paredes internas
pintadas de negro com o teto azulado
formam ideias de uma morada moderna
vista por tolos como um filme velado.

Velado por formas que a voz alterna
venero a noite com a luz da lanterna
e sussurro no vento ao ser segregado
e na vã tentativa de dizer o sagrado.

São todas angustias ao serem anulados
os meus passos neste deserto de areias
este cenário é de tragédia e beleza
com pés descalços sem sapatos e sem areias
e nas mãos eu carrego uma brasa acesa
sem nenhum perdão aos meus parcos pecados.

Estou quase rolando abaixo a ladeira
eu não matei nenhum sabia laranjeira
que saltitava alegre nas vastas planícies
no país inundado por normais imundícies
estão roubando até as palmeiras.

Alexandre

 
Autor
montalvan
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