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O PROFESSOR E A SÍNDROME DE BURNOUT

 
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Professor também adoece. E muito!

“Nem síndrome do pânico, nem depressão, nem stress. A síndrome de burnout é uma exaustão física e mental muito comum em profissões que exigem o contato direto com as pessoas, especialmente quando a relação é de ajuda, como policiais, enfermeiros, médicos e professores. O termo burnout vem do inglês burn – queimar – e out – externo -, ou, simplesmente, exaustão. Quem é acometido pela doença tem diminuição do interesse pelo trabalho, da energia, humor, criatividade, ideia, autoconfiança e outros fatores de motivação. No caso dos professores, o desconforto cresce ao passo que a vontade de lecionar diminui.”

Quando se imagina um professor em sala de aula, geralmente não se tem uma visão geral do quanto ele perde energia, ao tentar contentar mais ou menos 20 alunos – senão mais -, nas suas vontades, necessidades e diferenças, que vão desde os mínimos detalhes até grandes problemas de aprendizagem. Aliados a isso, estão as cobranças dos pais, governos e sociedade, no sentido de olhar o professor como o grande culpado de qualquer situação negativa que acontece numa escola. O professor, geralmente, inicia a sua carreira de forma positiva, pois, ainda hoje, a vocação é fator crucial para a escolha desta verdadeira missão, que é EDUCAR.

Mas, no decorrer dos anos, vão se acumulando insatisfações, tanto dentro quanto fora da classe de aula. A desvalorização do mestre é grande, o respeito pelo seu trabalho diminuiu muito nos últimos anos, porque exige-se muito deste profissional, dando-se em troca minguadas possibilidades de exercer a carreira dentro dos parâmetros reais de saúde e de dignidade, diante de uma turma de pequenas cabecinhas que possuem todos os direitos e nenhum dever.

Quando o professor chega ao seu limite, então, é gentilmente “encostado”, gerando laudos e, segundo o sistema, torna-se um transtorno social. Ninguém repara. Ou, se repara, lançam críticas negativas ao professor doente, como se ele tivesse procurado por esta situação.

A questão que fica é a seguinte:

- Será que a grande maioria suportará um número maior de anos em sala de aula, como pretendem os nossos governantes, sem sentir-se doentes na metade do caminho, e sem amparo de leis que o façam sentir-se digno e com missão cumprida, diante de um quadro caótico, cujas soluções são trocadas por construções de melhores presídios antes de investir em uma melhor educação.

“Recentemente, o SINPRO Rio disponibilizou uma cartilha sobre Síndrome de Burnout no portal Saúde do Professor. (...) Cerca de 30% dos professores sofrem, mas desconhecem a síndrome da exaustão, como também é conhecida.”

Saleti Hartmann
Professora / Pedagoga e Poeta
Cândido Godói-RS

 
Autor
SALETI HARTMANN
 
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Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 09/03/2017 11:32  Atualizado: 09/03/2017 11:32
Colaborador
Usuário desde: 03/09/2012
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Mensagens: 16052
 Re: O PROFESSOR E A SÍNDROME DE BURNOUT
Saleti
Adorei o tema abordado em seu texto! Sou enfermeira e por trabalhar muito tempo com pacientes oncológicos acabei me sentindo assim( exausta, triste, impotente...).
Atrelado ao cansaço tem a desvalorização da enfermagem, a politicagem, baixos salários, o descaso com a saúde pública...
Tomei pavor a minha profissão!
Ninguém suportará esse acréscimo de anos para se aposentar! Precisamos de um novo Getúlio Vargas para fazer uma mudança radical, para recuperar nossos direitos!
Vamos fazer uma revolução? Estamos precisando...
Beijos!
Janna

Enviado por Tópico
João Marino Delize
Publicado: 10/03/2017 14:03  Atualizado: 10/03/2017 14:03
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Usuário desde: 29/01/2008
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Mensagens: 2737
 Re: O PROFESSOR E A SÍNDROME DE BURNOUT
Eu já conheci alguns professores nesta situação, mas eu acredito (não tenho certeza) que isso acontece muito com professores que não nasceram com o dão de ministrar aulas, então com o stress que é quase normal na profissão acaba ocorrendo a doença. Eu em outra profissão também me senti esgotado e não via a hora de me aposentar, por talvez não gostar da profissão.