O luto por quem vive é tormentoso,
Não tem exéquias nem orações,
Não tem missas, rituais, libações,
Nem campas para último repouso.
Sem corpo à morte dado nos caixões,
É espectro em cada beco, temeroso,
Molda-se em cada rosto, audacioso,
Num panteísmo sem fuga às abstracções.
A cada dia um ordálio vem,
E a voz que se ouve para se ir além,
Em busca do que não há, mas existe…
O nojo vive-se em vida de alguém,
Ainda que já decesso ao olhar triste,
Pesar que em vida na morte persiste.
05 de Fevereiro de 2026
Viriato Samora