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Um Louco Partido em Partes

 
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Um Louco Partido em Partes

Eu sei que todo o preto
é branco
e a aquarela se dilui no espaço
que termina no barranco
todo o plano que faço
para que eu possa encostar
e descansar
e
todo o caos é argumento
para que eu possa
então... Falar
sei lá.
E todo louco é lúcido
porque se não for melhor me internar.

Por isto só me desejas
quem não me conhece
ninguém sabe
como a aranha tece
a podridão!
que em mim existe
a desolação que me assola
escutas o que te digo
não se esconda em um abrigo
não ponhas a mão
no corrimão desta escada
e na sacada
escuta que te digo
não olhe para o chão
e tome um último trago
no bar da imaginação.

Se estatele na beira do sofá
não quero teu afago
o que
tiver de ser será
sou um mal sem tamanho
não faças de mim um lago
não sou parte de um rebanho
em um murmúrio vago
em uma noite anômala
sou um ser estranho
que se veste e se joga na lama
e
meus dedos estão frios como um rio
teus seios olham para o céu
eu fico sem jeito
olhando teu seio macio
e
escondo meu olhar com meu chapéu

Eu sei todo o azul
é luz
e o verde é terra
sei que a vida se encerra
e toda a morte é amarela
a palidez é cor
e que o amor é tudo
que todo o ódio é puro
que eu sou um porre sem jeito
e que a perda de tempo
igual a fermento
que
incha intumesce o peito
e explode e morre.

Alexandre

 
Autor
montalvan
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