
Cicatrizes
Todas as minhas cicatrizes
eu as curo mortificando-as nas palavras,
escancarando minha alma para o nada,
estremecendo todas as minhas raízes.
E desta fonte obscura eu bebo,
como se fosse um remédio que, mesmo amargo,
traz-me a paz que é o tudo que concebo
na solidão silenciosa do meu quarto.
E neste sono velho de tanta pouquidade,
sem sonhos, nem mesmo pesadelos,
eu me encontro escrevendo de joelhos
como se fosse deste inteiro a metade.
Eu vou sorrir e também vou chorar,
misturando sentimentos de um cansaço,
um sentir neste mundo de estilhaços:
minhas desventuras flutuam em pleno ar
alexandre Montalvan
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