
O Vinho em Uma Taça
Meu poema não é meu
meu poema não tem dono
porém também não é teu
pois ele traz em seu cerne
o desconsolo.
Meu poema é lixo
não foi feito para meu agrado
são detritos de uma alma desolada
e não emergiu de um capricho
como o sonho de um verão ensolarado.
Meu poema não é meu
porém ele é tudo,
pois o nada não existe;
se existisse, meu poema seria
um nada sem uso.
E mesmo o meu poema,
não sendo meu, nada impede
que eu o faça.
Pois, assim como o vinho em uma taça
que desce por uma garganta vazia,
bêbado ou sóbrio, eu fiz esta
poesia.
Alexandre
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