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Prosas Poéticas : 

Quase perfeito

 
Hoje foi um dia fabuloso, foi um mimo de romaria.
Havia patinhos no rio a nadar contra a corrente e aviões em queda livre.
Até o Pavão lá estava de tacha arreganhada, a limpar cachimbos.
A Pintassilgo também foi, mas não marchou, só visitou a fauna e a flora da praia. O Zé Maria também se chegou à frente do escritório, mas esqueceu-se dos óculos de sol e entornou os perdigotos no bolso.
As fotos ficaram retratos vivos da boa disposição passada no Douro. O ronco do motor do barco a puxar os cães de fila mostra que o concurso foi uma mais valia.
São acrobacias um pouco maradas que põem em causa as ondas que crepitam ao som do orvalho de uma tarde eterna.
Para o ano há mais verdades, mais sarilhos, mais olhares reprovadores mas também mais amizades.
Chegaram algumas amizades peregrinas vindos do estrangeiros como diz a D. Miquelina das Rosas.

Cada vez me convenço mais que conseguem morder poemas ao jantar.



Carolina

 
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Carolina
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Enviado por Tópico
Carlos Ricardo
Publicado: 25/07/2017 23:38  Atualizado: 25/07/2017 23:38
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 Re: Quase perfeito
Também me sinto na tua onda, sintonias aparte, é essencial para a nossa saúde identificar os podres. E não venham com os estereótipos dos necrófagos ou das moscas. Não é possível fingir que se é feliz num mundo de anormalidades que destroem tudo com a candura dos anjos e a tacha mais arreganhada do demónio.
Parabéns!


Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 26/07/2017 23:49  Atualizado: 26/07/2017 23:50
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 Re: Quase perfeito
Passo a vida a dizer aos meus filhos que Quase é uma palavra muito grande. Ao ponto de eles (sobretudo o mais velho de doze) já me citarem.
Usaste no título duas palavras inconcretas ou impossíveis. A outra é Perfeito. Esse limite máximo para tudo. Mas tudo o que é demais fica estragado e no meio é que está a virtude. Desculpa a contradição.
As duas juntas soam muito mais a real.
Gostei muito da metáfora das "...fotos ficaram retratos vivos da boa disposição..." sendo essa uma permissa essencial duma festa, ainda mais com cães de fila.
Adoro a visita de peregrinos.
E que se mordam poemas, até fazer sangue!

Boa prosa poética. Um bocado "marada", mas nunca ultrapassando nenhum limite.
Como vem sido hábito. E dos bons.

Bj