https://www.poetris.com/
Poemas -> Fantasia : 

Já não sei

 
Já não sei se trago no peito
um rio transbordante de emoções
ou um pássaro de asas cortadas...

Não sei se o tempo está cansado,
nem se as águas calaram as brisas
ou se as flores perderam o viço da cor...

Sinto no peito uma acalmia exasperante
margem de um silêncio que me cala,
enquanto o murmurar de palavras vadias
se atropelam no meu pensamento
e vagueiam perdidas pelos anseios
do meu chão de ilusões!

Ouço a chuva que copiosamente cai
inundando as fragas do meu tempo,
escorre pela vala da minha estrofe
displicente e impiedosa,
mergulha no meu mar inventado!

Continuo a sentir o silêncio no peito
talvez o mundo também tenha silenciado,
a chuva deixou de cair,
a fraga e a vala secaram,
as estrofes proliferaram,
somente o mar, o mar da minha imaginação
se revoltou em ondas de devaneio
indo beijar languidamente
as areias da praia
onde nasceu este meu poema

José Carlos Moutinho
29/3/18


 
Autor
zemoutinho
 
Texto
Data
Leituras
164
Favoritos
0
Licença
Esta obra está protegida pela licença Creative Commons
1 pontos
1
0
0
Os comentários são de propriedade de seus respectivos autores. Não somos responsáveis pelo seu conteúdo.

Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 07/04/2018 17:11  Atualizado: 07/04/2018 17:11
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15068
 Re: Já não sei
E que belo parto! Gosto muito desse lirismo bucólico. Destaco:

"Ouço a chuva que copiosamente cai
inundando as fragas do meu tempo,
escorre pela vala da minha estrofe
displicente e impiedosa,
mergulha no meu mar inventado!"

Parabéns pelo texto! Abraços!