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Poemas : 

entre paredes

 




Com o meneio das hortênsias,
no cabelo.
Os segredos na boca
enchendo os dias
de vermelho.
Em corpo aberto como camélias,
fico com os teus silêncios, nos meus.

Diante das grades
que sobem na noite, chegas
com o domínio do cárcere
e o frio fino
do fio do gume.

Chegas na raiz da noite,
fendes as rosas
e as sílabas da casa,
entre paredes.

Como pião,
o meu corpo rodopia.
Sem centro.
Sem chão.

Trago os joelhos
ao coração.
Trago a fruta rosada
na ânfora,
guardada.
Em lírio negro, o corpo
cobre-se das brasas do medo
ao lume dos olhos.

Suspiro.
Caio na frieza
que invoca a seda.













Zita Viegas















 
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atizviegas68
 
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Enviado por Tópico
martisns
Publicado: 04/03/2019 14:14  Atualizado: 04/03/2019 14:14
Colaborador
Usuário desde: 13/07/2010
Localidade:
Mensagens: 29159
 Re: entre paredes
Lindo poema que traduz os belos momentos vividos de amor, belo

Enviado por Tópico
Gyl
Publicado: 04/03/2019 15:43  Atualizado: 04/03/2019 15:43
Membro de honra
Usuário desde: 08/08/2009
Localidade: Brasil
Mensagens: 15125
 Re: entre paredes
Lirismo encantador em versos angelicais. Saudades!

Enviado por Tópico
Rogério Beça
Publicado: 04/03/2019 22:06  Atualizado: 06/03/2019 00:01
Colaborador
Usuário desde: 06/11/2007
Localidade:
Mensagens: 1583
 Re: entre paredes
O clima de intimismo, talvez intimidade, é notório.
Há no início um perfume floral, entre as hortênsias e camélias, em que o sujeito poético prevê uma abertura do próprio corpo e a conjugação de silêncios.
Aliás o verso “…fico com os teus silêncios, nos meus…” é a expressão máxima dessa intimidade. Porque de certa forma, é quando as palavras são dispensáveis e que apenas com uma troca de olhares tudo se diz.
Na segunda estrofe aparece a segunda personagem com o “…chegas…”. Mas também as grades que vêm com a noite, surgindo uma relação de domínio que sugere sensualidade. “…o frio fino do fio do gume…” acentua a ideia no fim da estrofe, além da aliteração nos fis me soarem muito bem e a movimento.
Há quem chame às camélias rosas, confundindo as flores. Assim a terceira estrofe, “…entre paredes…” submete-nos por esse meio à primeira, sendo o verbo fender muito intenso.
Metáforas muito belas, entre “…as sílabas da casa…”.

O pião que rodopia sem chão, nem centro, deixa o leitor atento com os seus próprios suspiros.

Sobra o frio, em que a suavidade da seda, inspira mais um contacto.

Andas fugida.
Perdemos todos, mas sei que continuas connosco.
Obrigado pela partilha.

Enviado por Tópico
Jmattos
Publicado: 06/03/2019 10:39  Atualizado: 06/03/2019 10:39
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Usuário desde: 03/09/2012
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Mensagens: 16008
 Re: entre paredes
Zita

Trago os joelhos
ao coração.
Trago a fruta rosada
na ânfora,
guardada.


Belíssimo poema!
Parabéns!
Beijos!
Janna