Uma palavra.
Torta num papel parado.
Tão silenciosa estava o seu dizer
que o papel amareleceu.
Havia na palavra do papel, tempo.
O tempo da fuga das estações.
Aqueles momentos que falam,
quando se fala sobre nada.
Riscada a palavra.
Por ser dita a transbordar.
A partir de onde se guarda
o que nunca foi embora.
Ela convida sem ausência.
A sentir a existência do gosto.
Na boca de quem ama.
A uma palavra, a uma gémea palavra.
Zita Viegas