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À mãe

 
Tags:  sono    doença    planos    sofrimento.  
 
À mãe

Já não posso lhe encontrar agora
Nem ouço me chamar pelo nome
Em um longo sono sei que dorme
Mas vamos nos ver em outra hora

Em algum dia nos encontraremos
Mesmo passando milhões de anos
Mas nós temos os mesmos planos
Então bem perto aí nós ficaremos

Mãe, e quando eu ficava doente
Você ficava triste e tão presente
E sofria demais com a minha dor

Mãe, eu ainda continuo sofrendo
Mas até hoje eu não compreendo
Por não saber viver sem seu amor.

Jmd/Maringá, 17.04.19





verde

 
Autor
João Marino Delize
 
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Enviado por Tópico
Joel-Matos
Publicado: 18/04/2019 17:21  Atualizado: 18/04/2019 17:21
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 Re: À Mãe





Poema à Mãe




No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe

Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;

ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;

ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...

Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade