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Prosas Poéticas : 

Serpente d’areia movediça

 
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Ó serpente d’areia movediça!
Me dê teu beijo de açúcar,
Pra adoçar meus lábios,
Que a sereia do alto-mar
Amargou com seu beijo salso.
Ó serpente d’areia movediça!
Me empreste teu sorriso
Pra eu sorrir em noites de lua cheia,
Onde vaga-lumes desafiam
O brilho das estrelas
Com o seu baço lume.
Ó serpente d’areia movediça!
Dispa tua beleza, e dê-a
A estrela-maior, que me guia
Nos atalhos do teu cândido coração,
Me empreste também, teu olhar
Pra que eu possa cativar o sol,
Que aquece tua alma santa,
E dá vida às flores nos prados.
Ó serpente d’areia movediça!
Se pudesse ter teus afetos,
Nenhuma alma apaixonada,
Conheceria o calvário das lágrimas,
Nem arranhões do temido desamor.
Ó serpente d’areia movediça!
Se eu pudesse ser tu,
Haveria sorriso em todas as faces,
E eterna paz em todas as almas.

Adelino Gomes-nhaca


Adelino Gomes

 
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Upanhaca
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Enviado por Tópico
Upanhaca
Publicado: 07/05/2019 08:01  Atualizado: 07/05/2019 08:09
Colaborador
Usuário desde: 21/01/2015
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Mensagens: 6298
 Re: Serpente d’areia movediça
Assim... se vive enternamente das delícias do amor.

Enviado por Tópico
Namas-tibet
Publicado: 07/05/2019 08:58  Atualizado: 07/05/2019 11:04
Colaborador
Usuário desde: 17/07/2018
Localidade:
Mensagens: 792
 Os poemas mais antigos do mundo


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Nos poemas mais antigos do mundo encontram-se quase sempre serpentes, há dois que reivindicam o título de mais antigo poema de sempre: um vem do Antigo Egipto, outro da Mesopotâmia. Qualquer deles tem mais de dois mil e quinhentos anos.

Um marinheiro regressa a casa depois de uma expedição falhada e relata alguns episódios da viagem ao seu "mestre", para que este, por sua vez, possa relatar ao faraó. Conta-lhe como o seu barco, que transportava também outros marinheiros, naufragara numa tempestade, e como ele, sozinho, único sobrevivente da intempérie, chegara a uma ilha abandonada. Ali encontrou comida e abrigo. E também uma serpente que falava e se auto-denominava Lord of Punt, e lhe perguntou uma, duas, três vezes, o que o levara à ilha, ao que o marinheiro lhe respondeu que o rei o havia incumbido de uma missão.

A serpente aconselhou-o, então, a ser prudente e a manter-se firme, porque, mais cedo ou mais tarde, acabaria por ser resgatado, o que veio efectivamente a acontecer, ao fim de algum tempo. Na despedida, a serpente ofereceu-lhe alguns presentes: especiarias, incenso, dentes de elefante, galgos e babuínos.

O conto, intitulado "Tale of the Shipwrecked Sailor", apresentado em forma poesia ou prosa conforme as diferentes edições, é provavelmente o mais antigo poema escrito de que há registos. Datado de 3590 a. C. (data incerta), foi escrito em hierático, escrita de que se serviam os sacerdotes egípcios, como abreviatura dos hieróglifos.

Gilgamesh, a epopeia que vem da Mesoptâmia

O título de primeiro poema do mundo está a ser discutido. Há fontes que dizem que a "Epopeia de Gilgamesh" é o texto literário mais antigo. Este poema épico da antiga Mesopotâmia, composto em doze cantos com cerca de 300 versos cada um, e datado de cerca de 3600 a. C.

Refira-se que Gilgamesh, cuja nome significa "o velho que rejuvenesce", foi rei da Suméria e fundador da antiga cidade de Uruk (que se situava a algumas centenas de quilómetros de Bagdad, capital do Iraque). Diz a lenda que Gilgamesh tinha dois terços de origem divina, visto que era filho da deusa Ninsun e do sacerdote Lugalbanda, tendo-se distinguido entre os demais chefes da cidade da Suméria pela coragem e outros atributos afins.

A primeira versão do poema épico, preservada em placas de argila, com caracteres cuneiformes (em forma de cunha), foi encontra numas ruínas da Mesopotâmia, no séc. XVIII a.C., altura em que foi também decifrada. O poema terá sido posteriormente traduzido em várias línguas, sendo a tradução mais completa e conhecida a que pertencia à biblioteca de Assurbanipal - o último grande rei do Império Assírio.

Na primeira parte do poema, Gilgamesh encontra Enkidu, um selvagem enviado pelos deuses para evitar que o rei continuasse a oprimir o povo de Uruk (que era tido ora como sensato, ora como despótico e dado a extravagâncias). Os dois tornam-se amigos, partem numa viagem, enfretam obstáculos. Enkidu morre mais tarde e Gilgamesh, em sofrimento pela morte do amigo, intenta uma longa e perigosa jornada que o levará, acredita, a descobrir o segredo da vida eterna.

O poema, além de ter sido traduzido em várias línguas, conquistou muitos leitores, sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, tendo sido adaptado a outros géneros (ficção, literatura infantil, banda desenhada)