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Duetos : 

Pedra Filosofal

 
coloco vagorasamente o ouvido na pedra. um sinal estranho parece vir dentro dela. um eco de outros ecos. as ondas do tejo sendo abaladas por um adamastor. gritos de homens num décimo quinto andar em chamas. tiro o o ouvidoda pedra:
os mesmos sons sofridos, a mesma malha que é usada para acender a lareira. o crepitar da maresia. Aperto a pedra na mãos, quase ao ponto de a esmagar e, lanço-a para a vertigem do mar. Fiquei com a sensação que ignorara uma grande descoberta, a vida da pedra, a filosofia da pedra. Caminhei na direcção contrária do mar e entrei numa taberna onde as guitarras soam mais do que os marinheiros tenteando.sentei-me. junto a uma imitação rasca de pollosk. ouvia ao longe a voz da pedra chegando com o cheiro a maresia, arrastei o que não conhecia para também eu ser desconhecido e estendi a minha vida na toalha daquela mesa.
suspirei bem alto o nome de uma pedra que tinha despertado a minha feliz existência e finalmente, mais do que nunca, sabia que teria de conseguir apaixonar-me mais tarde ou mais cedo. descansei o olhar sobre uma mulher sentada ao balcão e descrevi-lhe as fórmulas secretas do amor proveitoso, desse que cai em forma de suor frio pelas costas abaixo e com a vida estendida defronte, pisquei-lhe o olho. Num convite de corpos que se querem dançamos com os braços tão agarrados que parecia que de quatro só restavam dois assim tão unidos. Quando ao fim das cantigas ela me convidou para subir eu desiludido com o seu cheiro a ave rara fugi para a praia e escondi-me na areia.
Esperei sentado com a luz do luar a iluminar as águas, esperei que poseidon tivesse a generosidade de me devolver a pedra mas quando a manhã começou a romper a linha do horizonte, já sem esperanças, meti as mãos nos bolsos vazias e virei costas ao salgado do mar.
De repente sinto que enrolada nos dedos dos meus pés estava uma pedrita, não tão grande nem tão bela como a que tinha conhecido antes do baile mas carregada igualmente de sonhos, os meus sonhos.
Com os olhos cobertos de lágrimas corri praia fora com a pedra acarinhada entre as minhas mãos.


Para a Pedra Filosofal


Escrito por FlavioSylver e Margarete



. façam de conta que eu não estive cá .

 
Autor
Margarete
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Enviado por Tópico
Pedra Filosofal
Publicado: 29/04/2008 23:14  Atualizado: 29/04/2008 23:14
Colaborador
Usuário desde: 17/09/2007
Localidade: Barreiro
Mensagens: 1279
 Re: Pedra Filosofal
Queridos amigos... fico sem palavras por me terem dedicado este texto. Vindo de vocês os dois só podia sair uma beleza. Porque foi escrito por duas pessoas fabulosas! Obrigado. Obrigado é a única coisa que vos posso dizer e que me parece tão pouco pela alegria que me proporcionaram

Enviado por Tópico
visitante
Publicado: 30/04/2008 10:48  Atualizado: 30/04/2008 10:48
 Re: Pedra Filosofal
Grande dedicatória para uma das pessoas mais completas e fortes desta casa.
Fiquei orgulhoso de ler este magnífico texto.
Pessoas como a Pedra Filosofal, merecem muito destes elogios.
Parabéns a ambos.

Frank_Mike

Enviado por Tópico
Vera Sousa
Publicado: 01/05/2008 22:51  Atualizado: 01/05/2008 22:51
Membro de honra
Usuário desde: 04/10/2006
Localidade: Amadora
Mensagens: 4100
 Re: Pedra Filosofal
Uma homenagem mais que merecida a uma Amiga e Mulher como poucas!

Parabéns a ambos pelo belo dueto

Beijos aos dois e à nossa Pedrinha