Feroz não é o cão,
O leão, o não...
Feroz é o pássaro da praça
Que se empanturra com a desgraça.
Ele agita a fauna e garfa a alma
Dos que comem na palma de sua mão:
Quase toda a fauna.
Ele causa trauma,
Dirige na escuridão,
Joga a pedra e esconde a mão.
O pássaro da praça cisca, belisca e atiça a agitação.
Agita porque se explodir ele ganha com a explosão.
Se não explodir, ganha com a decantação.
O pássaro da praça não é gente não,
Transforma a vida em uma corrida pelo pão.
O pássaro da praça para colecionar castelos
Esfarela a alma da minha aldeia e semeia flagelo.
O pássaro da praça precisa encher o infinito de alpiste
E pra isso: mata e desmata para matar a fome que não existe.